Doadores de sangue dão exemplo de cidadania
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sábado, 12 de junho de 2004
Rosângela Vale<br>Reportagem Local 
O aposentado Benedito Luis Naves deu por encerrada na manhã de ontem uma missão que tomou para si há, pelo menos, 20 anos. Doou sangue pela última vez. Às vésperas de completar 65 anos, ele não poderá mais repetir o gesto que considera uma obrigação desde quando foi operado e precisou de uma transfusão. Meu pai doou sangue para mim e eu me levantei, conta. Tomando o tradicional cafezinho logo após deixar a sua contribuição derradeira a um desconhecido, ele revelou que, no momento das doações, sempre pensou que estava ajudando um amigo.
O técnico da Copel Edson Imay, 41 anos, quer seguir o exemplo de Benedito. Doa sangue, religiosamente, quatro vezes por ano, há nove anos. Uma rotina que deseja para o resto de sua vida. É a forma mais fácil de ajudar, justifica. A motivação para o gesto também veio de uma experiência que o sensibilizou. Tive cólica renal e fui parar no hospital. Vi aquelas pessoas sofrendo com doenças e minha dor era apenas temporária, lembra. Tornar-se um doador de sangue foi a maneira que encontrou para agradecer a Deus pela sua saúde.
Para agradecer e homenagear pessoas como Benedito e Edson, a Organização Mundial de Saúde (OMS) criou uma data especial. Amanhã, dia 14 de junho, é o Dia Mundial do Doador de Sangue, cuja generosidade e a responsabilidade são essenciais para salvar vidas. Além de ser um gesto de solidariedade, doar sangue é um gesto de cidadania, ressalta o médico Carlos Yoshio Sugmyama, do Hemocentro do HU.
O representante comercial Paulo César Turini, 30 anos, é outro doador fidelizado do Hemocentro do Hospital Universitário. De acordo com o HU, ele já doou sangue 21 vezes. Mas esse número deve ser maior, já que repete o gesto desde os 20 anos, quando leu uma matéria que desfazia vários mitos sobre o assunto, como o de que a prática afina o sangue. Turini é um doador fenotipado, ou seja, doa sangue para determinados receptores que precisam de transfusão com freqüência. Acho prazeroso poder ajudar alguém sem esperar nada em troca, diz.
De acordo com Sugmyama, a data tem uma segunda finalidade: convocar mais gente a integrar esse rol de colaboradores que sustentam a vida. Ano passado, o Hemocentro coletou 10 mil bolsas de sangue, número insuficiente para atender a demanda de Londrina e região. O perfil dos doadores do local está praticamente dentro do padrão estabelecido pelo programa nacional de qualidade de sangue do Ministério da Saúde, que preconiza 80% de doações espontâneas. Ano passado, atingimos 72%, contabiliza o médico.
A intenção do Hemocentro é ter mais doadores de repetição. Sugmyama esclarece que, desde que a pessoa esteja em boas condições de saúde, a doação de sangue é um procedimento totalmente inócuo, sem riscos de nenhuma espécie. Para ser um doador, é preciso ter entre 18 e 65 anos e peso mínimo de 50 quilos, além de um bom estado de saúde e de um estilo de vida que não traga riscos de doenças.


