Curitiba - Muita gente se recusa a ser fotografado em reportagens para jornal. Timidez é uma das justificativas mais comuns. O empresário Airton Domingos Damian, 49 anos, também se recusou a aparecer nesta matéria. Motivo? Ele dá sangue e dinheiro para instituições de saúde e está na lista de doadores de medula óssea. Sua justificativa para não aparecer: ''O que faço é para ajudar as pessoas, não para aparecer. Acho que faço pouco. Poderia fazer mais.''
Quem está enfermo em qualquer um dos leitos dos hospitais públicos provavelmente não sabe da existência de gente como Airton Damian. Talvez não tenha consciência de como gente igual a ele é importante para as instituições de saúde.
Damian doa R$ 5 por mês ao Hospital Erasto Gaertner, que é uma das referências do sul do País no tratamento de câncer. O valor pode parecer pouco, mas 25% da renda do Erasto vem de pequenas doações. A cada mês a institução, que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS), recebe R$ 450 mil em doações, o que representa R$ 5 milhões de rendimentos a mais nos cofres do hospital por ano.
No próximo dia 26, a direção do Erasto Gaertner vai lançar um nova campanha pedindo ajuda para a ampliação das dependências do hospital. Parada há 10 anos por falta de recursos, a obra de 3,5 mil metros quadrados será revitalizada a um custo de R$ 12 milhões.
''A ajuda da comunidade propicia a possibilidade de realizarmos um tratamento de melhor qualidade'', explica Claudiane Ligia Minari, coordenadora geral do Erasto Gaertner. Segundo ela, as doações da comunidade evitam que as contas do hospital fiquem no vermelho. Cerca de 88% dos atendimentos do Erasto são pelo SUS, mas a verba que a instituição recebe do Ministério da Saúde cobre apenas 75% dos gastos para atender uma demanda de pacientes que cresce 10% ao ano.
Há 20 anos, no Hospital Evangélico, Eunice Zacharow viu que muitos recém-nascidos não tinham o que vestir. Ela não pensou duas vezes: aproveitou que estava aposentada e criou um grupo de voluntários para ajudar nas necessidades da insitituição. No início, eram cinco pessoas. Hoje, o Voluntariado do Hospital Evangélico conta uma equipe de mais de mil pessoas. Eunice é a coordenadora.
As ajudas não são apenas em dinheiro. Voluntários trabalham juntamente com os pacientes, dando comida, contando histórias ou fazendo companhia. Existem também equipes que trabalham fora do hospital, organizando jantares e outros eventos para arrecadar recursos. Um terceiro grupo não faz parte do voluntariado, mas não deixa de fazer doações. ''Os voluntários são pessoas que doam e não querem aparecer por isso. Eles têm um amor, um desprendimento'', define Eunice.
O Hospital Evangélico é referência no tratamento de queimaduras. Segundo a direção, 7 mil pessoas circulam por dia em suas dependências.

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