A soldado Adriana do Nascimento Cordeiro pratica o gesto de solidariedade pelo menos duas vezes ao ano. "Não dói e é rápido"
A soldado Adriana do Nascimento Cordeiro pratica o gesto de solidariedade pelo menos duas vezes ao ano. "Não dói e é rápido" | Foto: Saulo Ohara



"Meses atrás, um rapaz teve sangramento grave ao se envolver em um acidente com moto. Somente em uma noite, ele utilizou 30 bolsas de sangue." Esse é apenas um entre tantos episódios que a médica hematologista Tânia Hissa Anegawa se deparou durante os dez anos de atuação no Hemocentro do HU (Hospital Universitário) de Londrina. Ao todo, de acordo com ela, Londrina consome cerca de 1.500 bolsas de sangue a cada mês, que são distribuídas entre os hospitais da Zona Sul e da Zona Norte, HU, Maternidade Municipal Lucilla Ballalai, Hospital do Câncer e outras instituições de 30 municípios da região.

"A gente precisa sempre de sangue. O sangue é um material biológico, que tem validade, então precisamos de campanhas constantes. A 'duras penas' e graças às doações em grupos, estamos conseguindo atender a demanda", declara a médica.

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Para garantir um volume significativo de doações a cada semana, o Hemocentro quer estimular a ação entre grupos de no mínimo de 20 pessoas, como ocorreu na semana passada, com policiais militares. Cerca de 30 soldados doaram sangue como uma das ações comemorativas aos 164 anos da Polícia Militar no Paraná.

Doadora há seis anos, a soldado Adriana do Nascimento Cordeiro conta que pratica esse gesto de solidariedade pelo menos duas vezes ao ano. "Não dói e é rápido. Temos o papel de exercer a cidadania, de ser exemplo para a sociedade", diz.

Cada doação garante entre 410 e 460 ml de sangue, que é fracionado basicamente em três componentes: plaquetas, hemácias e plasma. A médica explica que as plaquetas, que são responsáveis pela coagulação e prevenção de sangramentos anormais, têm validade de apenas cinco dias. "Passado esse tempo, as plaquetas começam a perder vida e não podemos mais utilizá-las. Elas são muito importantes para pacientes que estão fazendo quimioterapia e em cirurgias porque vão garantir a hemostasia, ou seja, o parar de sangrar", explica.

Imagem ilustrativa da imagem Doações em grupos são essenciais para manter estoque do Hemocentro
| Foto: Folha Arte



Já as hemácias (glóbulos vermelhos), que transportam o oxigênio por todo o corpo e atendem casos de anemias graves, sangramentos intensos, entre outros, duram cerca de 35 dias, e o plasma e crioprecipitado (fração do plasma) duram um ano e são utilizados especialmente em pacientes transplantados, portadores de cirroses e outros problemas hepáticos e distúrbios de coagulação.

A questão, segundo Anegawa, é que a proporção de plaquetas no sangue é pequena. "A gente tem que juntar de cinco a seis doadores para obter uma bolsa de plaqueta", conta. Para se ter uma ideia, uma bolsa de plaqueta é utilizada em média, para cada dez quilos de peso. Sendo assim, uma pessoa com 65 quilos que é submetida a uma cirurgia, precisa de 36 doadores, pois utilizará seis bolsas e outras seis são reservas."

SERVIÇO
- As doações no Hemocentro podem ser feitas de segunda a sexta, das 13h às 18h30; e aos sábados, das 8h às 17h30. Para atendimento de grupos previamente agendados, o Hemocentro pode abrir em horários especiais. Mais informações pelo fone: (43) 3371-2218.

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