César AugustoClonisa: o despejo era questão de diasMaria Joana da Silva, 55 anos, do Parque São Gabriel (zona leste), e Clonisa Prado da Silva, do Jardim Santa Rita (zona oeste), nem imaginam o bafafá que ocorreu na Câmara Municipal de Londrina na semana passada envolvendo os nomes delas.
Maria Joana e Clonisa Prado pleiteiam há tempo a legalização dos terrenos onde moram com as suas famílias. Há 19 anos, Maria Joana da Silva mudou-se com o marido, Izolo José, hoje com 78 anos, e com os quatro filhos do casal, para a data dois, quadra onze, do Parque São Gabriel.
O projeto que regularizaria a área onde mora Maria Joana, e que havia sido apresentado pelo vereador Célio Guergoletto (PMDB), foi rejeitado pela Câmara no mês passado. No caso de dona Clonisa, o projeto que permitiria a ela ser dona do lote onde vive havia sido enviado à Câmara pelo prefeito Antonio Belinati (PDT) e já era dado como favas contadas na sessão da Câmara da semana passada - não fosse a choradeira de Guergoletto.
‘‘A situação de dona Maria Joana é diferente da de dona Clonisa em quê?’’, quis saber o peemedebista. Foi então que os vereadores combinaram que o projeto enviado pelo prefeito será aprovado nas próximas sessões, acrescido de uma emenda para que a situação da dona Maria Joana também seja resolvida.
César AugustoMaria Joana: a represa era um perigo
Durante a administração do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida, Maria Joana da Silva tentou legalizar a área, mas o projeto de lei, que havia sido apresentado por um vereador do PT, partido do próprio prefeito da época, foi rejeitado pela Câmara Municipal na terceira votação. Antes, porém, por uns 15 anos Maria Joana da Silva havia batido às portas do poder público em diversas oportunidades em busca de uma solução para o seu caso.
Maria Joana lembra que ela e a família moravam bem perto dali, ao lado de uma represa, e os fiscais da Prefeitura infernizavam a vida dela para que mudassem, pois as ‘‘águas da represa representavam perigo para os filhos pequenos’’. Então, um funcionário da Prefeitura indicou o terreno de 382,23 metros quadrados, onde a família Silva mora até hoje e está construindo uma residência de alvenaria, para onde espera mudar em breve.
Clonisa Prado da Silva, 67 anos, dois filhos, quatro netos, foi parar num terreno da Prefeitura por um outro motivo. Ela conta que morava com a família no Jardim do Sol, mas o aluguel encontrava-se com alguns meses de atraso. O despejo era uma questão de dias.
‘‘Acharam esse terreno para a gente, e em menos de 24 horas amigos, parentes e religiosos conseguiram a madeira para que pudéssemos construir a casa’’, recorda Clonisa Prado. O terreno tem 300 metros quadrados e fica na rua Figueira.
Os membros da Comissão Permanente de Avaliação da Prefeitura de Londrina avaliaram o imóvel ocupado pelos Prado no Jardim Santa Rita em R$ 13.700,00. No projeto do vereador Célio Guergoletto, não há avaliação do terreno ocupado por Maria Joana e família, no Parque São Gabriel.
Para apurar os critérios adotados nas votações de doação de terrenos - ou a falta deles, como no caso envolvendo as famílias Silva e Prado - a Câmara instaurou uma Comissão Suprapartidária, com a participação de 10 vereadores, que tem até o final do ano para analisar as doações de terrenos da Prefeitura de Londrina feitas no período de 1962 a 1996.
Somente este ano, aproximadamente 40 projetos de lei que regularizam áreas do município deram entrada na Câmara. Nem mesmo as autoridades municipais sabem ao certo quantas áreas da Prefeitura foram cedidas nesses 34 anos.

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