Maigue Gueths
De Curitiba
O número de doadores de sangue no Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar) vem crescendo, em média, 10% ao ano desde 95. Com isso, os doadores regulares no Estado pularam de 82.959 para 118 mil nos últimos quatro anos. Em Curitiba, o aumento foi menor, passando de 22,2 mil pessoas em 95 para 29,5 mil em 99. Números como estes repetem-se em quase todo o País, de acordo com a coordenadora dos Comitês Gestores de Qualidade do Sangue do Ministério da Saúde, Ângela Márcia Perocco, traçando um quadro otimista entre os profissionais que trabalham nas unidades hemoterápicas do serviço público. ‘‘Não precisamos fazer campanhas para doação de sangue. Isto não significa que não tenhamos que estar sempre atentos, porque os estoques de sangue são bastante variáveis’’, diz ela, que está em Curitiba até quinta-feira, participando de um Curso de Gestão de Qualidade em Unidades Hemoterápicas para cerca de 60 profissionais dos três estados da região Sul. Para ela, a atenção constante nas unidades é importante, já que o sangue é um produto que não permite grandes estoques, devido ao pequeno prazo de validade, entre 5 a 30 dias. Outro problema é que os estoques dos bancos podem ser rapidamente desfalcados se houver uma demanda grande inesperada. ‘‘Foi o que aconteceu recentemente, quando um rapaz sofreu um acidente de moto e precisou de 58 bolsas de sangue’’, conta.
O curso faz parte de um programa do governo federal, cuja meta é oferecer o ‘‘sangue com garantia de qualidade em todo seu processo até 2003’’. Além disso, visa atender uma preocupação da Organização Mundial de Saúde (OMS) que elegeu o slogan ‘‘Sangue seguro depende de mim’’ como o mote do Dia Mundial de Saude, comemorado em 7 de abril. Esta preocupação com a qualidade, segundo a diretora do Hemepar, Elizabeth Ana Ciechomske, não significa que haja riscos nas unidades públicas.
O Ministério da Saúde, no entanto, não tem controle sobre os postos de sangue da rede privada, já que eles são cadastrados pelos serviços de Vigilância Sanitária dos estados, o que impossibilita o controle da qualidade de seus serviços. Para aceitar um doador, o Hemepar avalia o comportamento de risco, ou não, de cada pessoa, através de questionários. Caso seja aceito, o sangue passa por uma bateria de dez testes.
Segundo Toni Reis, presidente do Grupo Dignidade, o Hemepar, atualmente, tem uma postura bastante correta em relação aos homossexuais, não discriminando-os para a doação. ‘‘Eles não consideram os homossexuais como um grupo de risco, mas avaliam se a pessoa tem um comportamento de risco’’, diz, lembrando que atualmente 40% dos portadores do vírus HIV no Estado são heterossexuais.