Você quer ser doador de órgãos e tecidos? É bom deixar esse desejo bem claro para seus familiares. A decisão de fazer ou não a doação, de acordo com as leis brasileiras, cabe exclusivamente à família do morto. E o preconceito é apenas um dos empecilhos para que a prática se torne mais comum no País.
A Santa Casa de Londrina é uma das nove instituições da região capacitadas para fazer a captação de coração, rim e córnea para doação. Nos últimos anos, no entanto, esse número caiu praticamente pela metade. Em 2003, foram registradas 35 doações; no ano passado, apenas 17.
De acordo com a enfermeira Sandra Cristina Boni Paulena, coordenadora da Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos, um dos motivos da redução é o aumento do número de mortes por infecção generalizada, situação que impede o aproveitamento dos órgãos.
Enquanto isso, a fila de pessoas esperando por um transplante aumenta sem parar. Hoje, na área da 17 Regional de Saúde, que abrange Londrina e 19 cidades da região, 520 pacientes estão na espera por um transplante de rim. Apesar das 30 cirurgias feitas no ano passado, a fila aumentou porque mais gente entrou na lista.
Para que essa fila seja reduzida, é essencial que o número de doadores aumente. ''Hoje, a família tem que autorizar a doação. A nossa experiência mostra que os familiares, mesmo quando são contra, respeitam a vontade do morto e dão a autorização'', comenta a coordenadora da Central de Transplantes, Evanira Chiquetti.
As estatíticas mostram que a Regional de Londrina é responsável por 30% das captações de órgãos no Estado. De acordo com o chefe da 17 Regional, Adilson Castro, essa estrutura faz parte do ''mais eficiente e organizado'' sistema de transplantes do mundo. ''Tudo o que diz respeito a transplantes é pago pelo SUS (Sistema Único de Saúde)'', ressalta Castro.
Por isso, a conscientização para incentivar a doação é tão importante. As mais diversas instituições de saúde mantêm programas de conscientização de funcionários e da população. ''A verdade é que, quando são feitas campanhas, o número de doações aumenta. por isso a conscientização é tão importante'', enfatiza Sandra Cristina.

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