Doações de leite materno caem 30%
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quinta-feira, 08 de janeiro de 2015
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina As doações de leite materno caíram cerca de 30% nos 10 Bancos de Leite Humano (BLH) do Estado durante o período de festas de fim de ano. Segundo as autoridades em saúde, até o início de fevereiro, período de férias escolares e viagens, o número de doações tende a ficar abaixo da média. Para evitar o desabastecimento, os bancos de leite pedem ajuda para manter o estoque.
No Banco de Leite Humano do Hospital Universitário (HU) de Londrina, o total de leite coletado em dezembro foi de 114 litros, estoque 26% menor se comparado a setembro, quando as doações chegaram a 155 litros. A enfermeira e coordenadora do BLH, Márcia Benevenuto, explicou que manter uma margem de segurança é essencial para atender as crianças prematuras ou de baixo peso que precisam do leite. "O leite materno é o principal alimento para que a criança prematura ganhe peso e, assim, fique com a saúde estabilizada", justificou.
No Hospital Universitário Evangélico, em Curitiba, a situação é parecida. A média de coleta caiu de 160 para 110 litros. A nutricionista Patrícia Strapação informou que intensificou as campanhas para evitar a substituição emergencial de leite humano pela fórmula preparada com leite de vaca. No Hospital Universitário de Maringá, o BLH viu as doações caírem de 273 litros para 198 em novembro. De acordo com a enfermeira Aline Vaz, as contas de dezembro ainda não foram fechadas, mas o total deve ficar pouco acima do registrado em novembro, pouco para atender oito hospitais da região, incluindo Paranavaí e Campo Mourão.
No Banco de Leite do Hospital da Criança, em Ponta Grossa, as doações têm gerado em torno de 120 litros ao mês, abaixo do ideal, que seria de 150 litros destinados a cinco hospitais da região, segundo a enfermeira Ana de Bastiani. Em dezembro, a coleta foi de 111 litros. "Trabalhamos no limite. Não sobra muito. Em casos de nascimentos de muitas crianças prematuras, precisamos apelar para outras unidades", contou.
Cascavel, no Oeste do Estado, teve o período mais crítico em novembro. A coleta, que chegou a 254 litros em agosto, foi de cerca de 170 litros em novembro. Como o BLH do Hospital Universitário do Oeste do Paraná atende uma grande área de abrangência, manter o estoque cheio é importante. A enfermeira Anelise Vieczorek contou que em novembro a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do HU recebeu nove crianças prematuras. "São casos raros, mas que podem ocorrer. Temos que estar preparados", afirmou. Depois de intensificar as campanhas, as doações aumentaram em torno de 30 litros em dezembro.
Se levadas em consideração todas as unidades do Estado, 2014 terminou com 13,8 mil litros de leite coletados e 9,2 mil distribuídos, com 12,6 mil doadoras para 6,2 mil crianças. Em 2013, os números foram maiores: 16,8 mil litros coletados, 11,3 mil distribuídos, 14,8 mil doadoras e 6,2 mil receptores. A diferença entre o total coletado e distribuído é explicada pelo descarte do material sem condições de distribuição. "Há casos de leite com sangue, cabelo, ou fora dos padrões que não podem ser encaminhados para a pasteurização", explicou Márcia.



