Doações de leite diminuem em Curitiba
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de junho de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Banco de Leite Humano do Hospital de Clínicas (HC), de Curitiba, está sofrendo com a redução de doadoras. A média mensal de 50 mães caiu para 20 enquanto o número de crianças na UTI Neonatal está aumentando em função do frio. Para piorar a situação, 15% do leite doado por mês, o que equivale a cerca de 50 litros, chegam contamidados por falta de cuidados com a higiene na hora da coleta. Dos nove freezers que o banco possui, só um possui leite no momento.
O Banco de Leite Humano do HC é o maior do Paraná e possui uma demanda de cerca de oito litros por dia. Hoje, o banco está conseguindo disponibilizar apenas quatro litros por dia e o resto é completado com leite de vaca. A técnica em enfermagem e uma das responsáveis pelo banco, Hellen Roehrs, diz que o uso deste tipo de leite aumenta o número de casos de infecção intestinal entre os bebês, alonga o período de internamento e até aumenta o número de óbitos.
Funcionários do hospital vão semanalmente até a casa das doadoras coletar o leite. Mas é importante que a coleta siga algumas regras para que não haja contaminação e o leite possa ser aproveitado. Hellen explica que na hora da coleta é preciso lavar bem as mãos, prender o cabelo e usar máscara no rosto. Depois o leite deve ser colocado em um frasco de vidro previamente fervido por 15 minutos e armazenado imediatamente no congelador. O leite humano tem validade de 15 dias. Quando chega ao hospital, o leite passa por duas análises antes de ser usado.
As orientações de como deve ser a coleta são dadas somente no banco do HC porque não há funcionários suficientes para fazer isso na casa de todas as doadoras. As mães que não podem comprar as máscaras as recebem do hospital, que, segundo Hellen, também não tem recursos para disponibilizá-las a todas as doadoras. Podem doar todas as mães que não tiveram problemas diagnosticados no exame pré-natal e que não estejam tomando antibióticos. ''As vezes a mãe acha que não tem muito leite, mas se souber estimular acaba aumentando a quantidade'', explica Hellen.


