Doações de córneas jovens são mais raras
A dificuldade de aceitar a morte de pessoas mais jovens é um grande empecilho para a doação de órgãos, como informou a coordenadora da Central de Notificação e Captação de Órgãos Regional de Londrina, Ogle Beatriz Bacchi. Segundo dados da central, a maioria das doações é de pessoas com mais de 45 anos. Já a fila de espera é formada em grande parte por jovens. ''Como o transplante obedece a proporção de idade, algumas crianças acabam esperando mais'', explicou Ogle.
Ela explicou que a geração mais nova compreende melhor a importância das doações, mas os pais têm muita dificuldade para aceitar a morte que, muitas vezes, é inesperada. ''Se a família não conversou sobre o assunto antes fica difícil, pois na hora a dor é grande e o tempo para retirada da córnea restrito'', contou a coordenadora. Contudo, ela relembrou um caso em que a mãe de uma criança de sete anos rejeitou a doação no primeiro momento, mas depois voltou atrás. O tempo de retirada da córnea é de seis horas após a constatação do óbito, e o material pode ser conservado por até sete dias.
''Hoje nós só usamos as córneas que estão 100%. Com o banco poderíamos ter um aproveitamento melhor. Pois, às vezes, há alguma lesão que pode regenerar'', declarou Ogle. Na sexta-feira, a central possuía três córneas já direcionadas para transplantes, mas outras 10 estavam descartadas. Todo o material é conservado em vidros e fica guardado em uma geladeira na central. Com o banco de olhos a conservação e a manipulação seriam no Hospital Universitário (HU).
Para Ogle, outro mito que precisa ser esclarecido é quanto à retirada da córnea. ''Após o procedimento nós fechamos o olho como se estivesse normal. O mesmo ocorre quando todo o globo ocular é retirado, pois colocamos uma espécie de boneco no local, sem deixar a pessoa deformada'', detalhou. A coordenadora admite que precisaria mudar a cultura da população até chegar o dia em que o transplante sejam tão natural, ''que anormal seria não doar''. (C.R.)





