Doações ajudam desabrigados pela chuva
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terça-feira, 19 de outubro de 2004
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Após ter a casa totalmente destelhada pela chuva do final de semana, a catadora de papel Castorina Souza Pereira, 51, começa a pensar em reconstruir sua residência. Ela recebeu, ontem, telhas que foram doadas à Defesa Civil para ajudar as famílias vitimadas pela tempestade.
O órgão precisa de mil telhas para reparar as 150 casas danificadas em Londrina. Até segunda-feira, 120 peças haviam sido doadas. Os doadores, segundo o chefe da Defesa Civil, Carlos Eduardo Afonseca, preferem não se identificar. Mantimentos, roupas, móveis e materiais de construção em geral são outros produtos necessários às vítimas da chuva. Para ajudar, basta entrar em contato com a Defesa Civil, no telefone 199.
Moradora de uma casa de três cômodos no Jardim João Turquino (Zona Oeste), Castorina foi surpreendida pelo temporal na madrugada de domingo. ''Ouvi aquele barulhão e sai correndo. Na hora, só pensei em proteger as crianças'', contou ela, que teve oito filhos e mora com os três mais novos, entre 9 e 15 anos.
Abrigada por uma vizinha, ela entrou em desespero ao voltar para casa, no dia seguinte, e constatar que perdeu todos os pertences. Móveis, geladeira, roupas, brinquedos e até fotografias foram totalmente destruídos pela água. ''Vou ter que lutar muito para recuperar minhas coisas'', disse. A catadora sobrevive com R$ 100,00 vindos da reciclagem de papel e mais R$ 30,00 recebidos do programa Bolsa Escola. ''Para fazer a cobertura nova, vou pedir ajuda aos conhecidos.''
No Jardim São Jorge, onde várias casas também foram destelhadas pela chuva, o trabalhador rural José Francisco Pinto, 44 anos, enfrenta um problema diferente. Por causa do excesso de água, uma das duas fossas de seu quintal cedeu e formou um grande buraco na frente da casa. ''A coluna da varanda está comprometida'', contou ele, que mora na residência com a esposa, três filhos e duas netas. A família está abrigada na casa de parentes. ''A gente tem medo que a casa desmorone'', comentou.
Sem dinheiro para aterrar a fossa, ele pretendia entrar em contato com a Defesa CIvil para pedir ajuda. Outra dificuldade é que a fossa não poderá ser refeita e não há espaço, no quintal, para a construção de uma nova estrutura. ''Estou sem saber o que fazer'', lamentou.
Afonseca, da Defesa Civil, esclareceu que as pessoas vitimadas pela chuva serão atendidas de acordo com a disponibilidade de material. ''Mas não somos um órgão público, por isso, precisamos da parceria da comunidade para solucionar os problemas emergenciais'', salientou.
Ontem de manhã, os alunos da Escola Estadual Tiradentes, na Vila Recreio (Centro), ficaram sem aula por causa de uma inundação que tomou os dois pisos e a escada do prédio. ''Fizemos um mutirão de limpeza com os funcionários para secar a escola e conseguirmos funcionar à tarde'', contou a diretora Ingria Stroger de Almeida.
No ano passado, outro temporal causou o mesmo problema e iniciou um curto circuito que quase incendiou a escola. ''Faz quatro anos que brigamos por uma reforma'', reclamou ela, que teme pela segurança dos 350 alunos caso volte a chover intensamente.


