Doação e descarte não são sinônimos
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quarta-feira, 01 de dezembro de 2010
Carolina Avansini<BR> Reportagem Local 
Limpar armários faz parte da tradição de final de ano de muitas famílias Na hora de se desfazer de roupas, calçados, utensílios domésticos e móveis, a doação para entidades sociais é sempre uma opção Bom senso e critério, entretanto, são fundamentais para a boa ação não se transformar em problema para quem recebe Peças muito estragadas, sem condições de uso, não são aproveitadas e ainda consomem tempo e recursos para a realização do correto descarte
''A maior parte das doações que recebemos são ótimas, mas tem um percentual de coisas que não aproveitamos'', explicou Valéria Canônico, assessora de eventos e captação de recursos do Hospital do Câncer de Londrina (HCL) A entidade mantém um bazar diário cuja renda é revertida em benfeitorias para o centro médico
De acordo com Valéria, os produtos em bom estado são vendidos Já os itens muito danificados, como roupas rasgadas, móveis em situação precária e até embalagens plásticas ficam acumulados, sem qualquer função, até que os funcionários encontrem uma solução ''Quando é possível, mandamos para a reciclagem Se o produto não é reciclável, vira um transtorno'', disse
Muitas vezes, de acordo com Valéria, o valor de venda da doação em mau estado não cobre o custo do carreto empenhado para buscar o objeto na casa do doador ''Mas recolhemos para não magoar quem está doando'', explicou
No Asilo São Vicente de Paulo, que mantém um bazar aos sábados, o problema é semelhante Entre as excelentes doações que são aproveitadas pelos idosos ou vendidas para reverter em benefícios para a instituição, chegam também roupas, calçados e móveis que não são aproveitados ''Costumamos descartar nos ecopontos, mas como há um limite, ficamos com os produtos acumulados'', explicou a irmã Luiza Aparecida dos Reis, coordenadora do asilo
Roupas muito sujas e rasgadas são jogadas fora depois de passarem por uma triagem criteriosa Isso porque os itens de vestuário muito velhos, mas em condições de uso, são vendidos a preços baixos para trabalhadores rurais Na avaliação da freira, o próprio doador pode fazer a prévia separação dos objetos em condições de uso A mesma opinião é compartilhada por Valéria, do Hospital do Câncer ''O critério é observar se as coisas seriam úteis para quem está doando'', afirmou
No caso de móveis ou eletrodomésticos estragados, ela recomenda considerar se o preço do reparo será coberto pelo valor de venda ''De vez em quando recebemos computadores que não têm conserto'', exemplificou Por outro lado, as doações que chegam em perfeito estado têm saída fácil ''Muita gente manda as roupas limpas e cheirosas Isso facilita bastante o nosso trabalho ''
Outra dica de Valéria é não esperar muito para se desfazer do que não serve mais ''Às vezes, as roupas e calçados ficam guardados por muito tempo e, quando a pessoa resolve doar, já não servem mais ''
Serviço:
O bazar do Asilo São Vicente de Paulo funciona aos sábados, das 8h30 às 17 horas No Hospital do Câncer, o bazar ocorre de segunda a sexta-feira, das 8 às 14 horas


