‘‘Quando fui chamado por telefone ao Hospital Evangélico, na tarde de quinta-feira, fui preparado para receber a confirmação da morte do meu filho, que estava em coma há mais de 30 horas. Eu já estava preparado para o pior e tinha colocado tudo nas mãos de Deus. Quem fez o pedido da doação de órgãos foi a assistente social da Central de Transplantes. Aquilo me pegou de surpresa. Voltei para a minha casa para conversar com a família. Só depois de muita reflexão, decidimos aceitar a doação’’, contou o mestre-de-obras Manoel Teixeira Batista, pai de Aparecido Batista.
Casado com a dona-de-casa Dercinha Batista, Manoel tem outro casal de filhos e reside no jardim Sabará, um bairro pobre da zona oeste de Londrina. A família é praticante da religião Testemunhas de Jeová, e faz questão de deixar claro que a doação não teve nenhuma interferência da igreja.
‘‘Foi uma questão nossa, particular, resolvida dentro de casa. Nós temos um amigo que recebeu um fígado transplantado e escapou da morte. Por isso, acreditamos que a doação dos órgãos do nosso filho pode diminuir a dor de outras famílias’’, explicou a mãe do pedreiro doador, que era casado com Suzana Aparecida da Silva e deixou um casal de filhos menores.
Manoel Batista disse que a doação dos órgãos trouxe um pouco de conforto à família perante a dor da morte do filho. ‘‘Deus tem ainda tantas coisas boas para nos dar. Por que não doar órgãos que não servem mais ao nosso filho morto? Por que não ajudar a salvar as vidas de pessoas que sofrem com a doença?’’
O mestre-de-obras diz respeitar a opinião das pessoas que preferem não fazer a doação. Dercinha Batista ressalta: ‘‘A decisão de doar é muito difícil, com esse o impacto da morte. Mas sempre acreditamos que a doação é um ato de amor.’’
(Osmani Costa)

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