Um projeto de lei que prevê a doação de um trecho de 100 metros de uma rua a uma indústria está causando discussão na Câmara de Vereadores de Apucarana e polêmica entre os moradores do bairro. A proposta do prefeito Carlos Scarpelini (PSDB) tem como justificativa a ampliação da Indústria Têxtil S.A., que reivindica mais espaço para instalação de novos equipamentos.
Na primeira votação, em sessão extraordinária realizada anteontem à noite, os vereadores aprovaram o projeto por 11 votos a 6, mas alguns deles anunciaram que suas posições poderiam ser alteradas dependendo de consultas e informações complementares. A terceira e última sessão está prevista para hoje à noite.
Alguns moradores da Rua Angelo Portinari, que pelo projeto terá um trecho de uma quadra fechado, estão acompanhando a discussão na Câmara sempre com protesto. A professora Maria Helena Sanches Rúpolo manfestou-se contra o fechamento da rua. Para ela, o mais sensato seria deslocar toda a indústria da área residencial para um parque industrial. ‘‘Além da sujeira e do barulho constante, a qualquer momento pode acontecer um acidente com as caldeiras da empresa’’, disse.
Ao justificar o projeto, Scarpelini diz que a indústria, há 33 anos no local, está investindo R$ 2,5 milhões na compra de equipamentos e irá aplicar mais R$ 250 mil em mais 1.200 metros quadrados de construção. ‘‘A empresa gera 300 empregos diretos e irá abrir, de imediato, mais 50’’, argumenta o prefeito.
Scarpelini diz ainda que antes de enviar o projeto ao Legislativo sua assessoria técnica avaliou meticulosamente a proposta, concluindo que o fechamento do trecho da rua não irá prejudicar o tráfego na região.
Esse não é o primeiro caso de doação de trechos de ruas em Apucarana. Em 1988, na primeira gestão de Carlos Scarpelini, uma quadra da Rua Mitsuo Hayashi foi fechada e doada à Caramuru Alimentos de Milho Ltda que, na epóca, em contrapartida, construiu uma creche para o município, no Parque Biguaçu. Ainda neste ano, a prefeitura doou mais um trecho da Rua Humberto Vendramel, na Vila Nova, para viabilizar a ampliação do Auto Posto Vila Nova.
O empresário Eros Felipe, sócio-proprietário da Indústria Têxtil, disse que com a ampliação a empresa poderia aumentar em 25% a produção de fios de algodão e tecidos.

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