Doação de órgãos influencia família
Mauricio Della Barba
De Londrina
O exemplo de Emerson Jackson Von Sherten, o assistente-técnico que morreu vítima de acidente na última terça-feira, em Londrina, está influenciando a família. Ele havia manifestado à esposa o desejo de doar os órgãos, que foram retirados no início desta semana. Agora, o cunhado de Emerson, Marcelo Flausino Rossi, disse que está disposto a ser um doador em potencial. Existem fatos na nossa vida que nos fazem pensar. Eu estou repensando a minha decisão, disse, emocionado.
Rossi, como Emerson, é Testemunha de Jeová. Apesar da religião não fazer nenhuma proibição quanto à doação de órgãos, o cunhado havia optado por ser um não doador. Minha religião segue o que está escrito na Bíblia, e nela não há nada sobre a doação de órgãos. A escolha fica a cargo da consciência de cada um, explica Rossi. A transfusão de sangue não é aceita pelo seguidores da religião.
Marcelo Rossi afirmou que, com exceção da sua irmã (esposa de Sherten), Sulamita Flausino Rossi Von Scherten, ninguém sabia da decisão de Emerson. A doação só foi autorizada depois de serem emitidos dois laudos, de dois médicos diferentes, sobre a morte cerebral do assistente-técnico. A atitude, para quem fica, é difícil demais, lembrou o cunhado.
Rossi acha que o processo de doação deveria ser revisto. Acho que a abordagem após a morte deveria ser mais informativa. Também existiu uma demora na liberação do corpo. Os pais de Emerson, que residem em Curitiba, e a esposa Sulamita ainda estão chocados e preferem não falar sobre o assunto.
Os órgãos de Rossi poderao beneficiar até 30 pessoas. O fígado já foi transplantado em uma paciente de Curitiba. Os tecidos ósseos poderão ser usados por até pessoas; a fáscia lata (tecido que recobre o músculo da coxa) deverá ajudar oito mulheres com problemas no canal urinário; as válvulas cardíacas, quatro pessoas; e as córneas, mais duas.
Emerson Sherten tinha 26 anos e sofreu um acidente no dia 1º de outubro e morreu na última terça-feira. Ele foi atingido pelo friso (um aro que fica entre o pneu e a roda do carro) do pneu traseiro de um veículo que estourou.





