Imagem ilustrativa da imagem Doação de órgãos em vida diminui e de falecidos aumenta no Paraná
| Foto: Sesa/Divulgação

A prática de doar um órgão em vida tem diminuído ano a ano, porque a captação de órgãos de doadores falecidos tem aumentado. De acordo com os dados da Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), o número de transplantes no Paraná cresceu cinco vezes entre 2010 e 2018. A quantidade de procedimentos de doadores falecidos passou de 183 para 949, principalmente de rins e fígado, nesse mesmo período. Já o número de transplantes de doadores vivos (de fígado, rins e medula) caiu de 427 em 2011 para 320 em 2018. A enfermeira Luana Heberle, da Central de Transplantes do Paraná, aponta que aproximadamente 70% dos doadores falecidos são homens com idade entre 35 e 64 anos. “A maioria é vítima de AVC (Acidente vascular cerebral) ou de acidente de trânsito”, destaca.

Segundo Heberle, a diminuição de transplantes entre vivos é positiva, porque evita os riscos de cirurgias. O Paraná é o Estado em que mais se doa órgãos para a realização de transplantes por milhão da população (pmp). Em 2018 o Estado fechou com 47,7 pmp, porém de janeiro a junho deste ano houve uma queda e esse índice atingiu 41,1 pmp. Mesmo assim, o volume é maior do que a média brasileira, que é de apenas 17 pmp que realizam doações efetivas.

De acordo com a enfermeira, isso se deve ao fato de que o Paraná é o primeiro colocado no País em identificação de paciente em possível morte encefálica, que desencadeia todo o processo para a doação de órgãos e realização de transplantes. “Somos o número um do País em notificação, doação, transplante e possuímos o menor percentual de recusa de doações por parte dos familiares, de 25%, enquanto a média é de 43%”, aponta.

Parte desse mérito foi pelas Opos (Organizações de Procura de Órgãos e Tecidos), situadas em Cascavel, Curitiba, Maringá e Londrina, que prestam apoio às instituições da rede de doação e transplante de órgãos, em substituição às centrais regionais de transplantes. Com exceção de Curitiba, que atende uma população de cinco milhões de pessoas, as demais organizações atendem cada uma delas dois milhões de pessoas. As Opos têm como atividade primordial a busca ativa in loco diariamente nos hospitais da sua área de abrangência, para identificação precoce de pacientes em possível situação de morte encefálica, atuação de corresponsabilidade junto as CIHDOTTs (Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante) , em todo o processo de identificação, diagnóstico e doação.

O Estado trabalha com quatro câmaras técnicas – coração, fígado, rim e córneas. Ao mesmo passo é campeão no transplante de fígado e de rim. “Temos a central estadual em Curitiba e 16 centros transplantadores com 23 equipes de transplantes que se deslocam até o local de captação”, expõe. Ela ressalta que tudo isso consta no Plano Estadual de Transplantes. “O Paraná foi o primeiro Estado a concluir esse planejamento e montou uma cartilha explicando como construir esse plano de transplantes. O documento tem toda a história realizada no setor até aqui e possui as diretrizes que mostram a maneira de trabalhar até 2022”, destaca.

FILA

Dos pacientes ativos em lista de espera no Paraná em dezembro de 2018, 947 eram de rim, número que subiu para 1503 até o fim do primeiro semestre deste ano. O primeiro transplante de rim realizado no Paraná aconteceu em Londrina em 1973, apenas dez anos depois do primeiro transplante realizado no mundo, em Boston (EUA), em 1963. Esse primeiro paciente viveu mais de 30 anos com o rim transplantado e quando morreu foi por um problema no coração.

Ainda existem 170 pessoas na fila de espera por um fígado, 24 por um coração, seis para o transplante de pâncreas e rim juntos, e 31 para o transplante de córneas. Não havia pacientes na fila esperando pela doação de pulmões. Heberle enaltece que a existência de filas à espera de doadores é um indicativo positivo, pois demonstra que o serviço de busca e atendimento dos pacientes tem funcionado. “Isso ajuda a regular a oferta dos transplantes e da doação de órgãos”, destaca.

O SUS (Sistema Único de Saúde) possui o maior programa público de transplante do mundo, pelo qual 87% dos transplantes de órgãos são feitos com recursos públicos, possibilitando que mais pessoas tenham uma vida melhor. Contudo, um dos desafios a serem enfrentados é a falta de conscientização da população sobre a importância do ato de doar um órgão. “Se for possibilitada a doação, eu digo à família que ela mesma ou algum familiar pode precisar um dia de uma doação dessas. Destaco que o ato salva vidas e a nossa experiência mostra que famílias que doaram os órgãos sentiram conforto depois de fazerem isso após a perda do ente querido”, declara.

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| Foto: Folha Arte

PARA PARENTES

Há um mês a 1ª Promotoria de Justiça de Quedas do Iguaçu (Centro-oeste) obteve a autorização judicial para que Estefânea de Souza Rozentalski, 42, possa doar um rim a seu sobrinho, Sidnei Pastre, 37, cujos laços não são sanguíneos. A questão é que a legislação em vigor autoriza a doação de órgãos entre vivos somente para parentes até quarto grau - com exceção da medula óssea, cuja doação é livre - ou mediante autorização judicial.

A enfermeira da Central de Transplantes explica que a diferença entre um doador aparentado e outro que não é se limita à necessidade de apresentação de alvará judicial autorizando o procedimento e parecer de comitê de ética. “Ambos precisam apresentar o termo de disposição gratuita do órgão”, acrescenta. “Este ano, até junho, tivemos 279 autorizações familiares de um total de 540 notificações (de potenciais doadores). Desse número, 233 se tornaram doações efetivas”, aponta a enfermeira.

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