Doação de órgãos beneficia 30 pessoas
Adriana De Cunto
De Londrina
A decisão de uma família londrinense de permitir a doação dos órgãos de um rapaz que morreu anteontem, vítima de acidente de trabalho, pode beneficiar até 30 pessoas. Isso porque, além de permitir que a equipe médica retirasse córneas, válvulas cardíacas, fígado e rim, os familiares do assistente-técnico Emerson Jackson Von Sherten doaram também tecidos ósseos e fáscia lata (tecido que recobre o músculo da coxa). É a primeira vez que é feita, em Londrina, este tipo de doação.
Emerson Sherten tinha 26 anos, sofreu um acidente no dia 1º de outubro e morreu anteontem, por volta das 16h15. Ele foi atingido pelo friso (um aro que fica entre o pneu e a roda do carro) do pneu traseiro de um veículo que estourou. O rapaz sofreu traumatismo cranioencefálico e ficou internado no Hospital Evangélico.
A coordenadora de Central de Transplantes de Londrina, Elza de Lara, explica que a equipe de abordagem da Central geralmente pede a doação dos tecidos ósseo e fáscia lata. Mas normalmente as famílias não liberavam, comentou. Ela não sabe explicar o porquê da recusa. Talvez seja uma questão cultural.
A coordenadora não sabe quantas pessoas poderão ser beneficiadas porque estão sendo protocolados os nomes de prováveis receptores. O tecido ósseo pode ficar até seis meses guardado em um freezer especial com temperatura entre 70 a 80 graus negativos. O tecido fáscia lata pode ser guardado até um mês nas mesmas condições. O fígado foi transplantado ontem e até ontem à tarde ainda estavam sendo selecionados receptores para as válvulas cardíacas e córneas.
O fáscia lata é usado na reconstituição da uretra, no tratamento de pessoas que sofrem de câncer de uretra, explica Elza de Lara. O tecido ósseo também é usado no tratamento de pacientes que sofrem de câncer ou tiveram fratura de repetição de ossos, complementa a coordenadora.
Marcelo Flausino Rossi, cunhado de Emerson, disse que o assistente-técnico já tinha comunicado à esposa a intenção de ser um doador de órgãos. A família respeitou a decisão dele, afirmou. Marcelo ressaltou que Emerson era Testemunha de Jeová e frisou que a religião não interfere na doação de órgãos, apesar de não permitir a transfusão de sangue. É uma questão pessoal, de decisão de consciência.
Emerson era casado. O corpo do assistente-técnico foi sepultado ontem à tarde, no Cemitério Jardim da Saudade. Ele morava no Residencial Cabo Frio (zona norte).





