Curitiba

Albari RosaCompletoAté o 6º mês de vida, criança consegue suprir suas necessidades alimentares exclusivamente com o leite da mãeO número de mulheres que amamentam seus filhos com leite materno vem crescendo no Paraná. No Hospital de Clínicas (HC), em Curitiba, que tem o primeiro Banco de Leite Humano do Brasil, a doação de leite materno triplicou nos últimos dez anos. Atualmente, o Banco recolhe por mês cerca de 300 litros de leiteá - média que não ultrapassava 90 litros por mês quando o HC criou o serviço, em 1987.
Apesar do crescimento dos índices de aleitamento no Paraná, que será comemorado durante a Semana Mundial de Amamentação, entre os dias 1º e 7 de agosto, os médicos ainda precisam lutar contra a desinformação da maioria das mães. Segundo a enfermeira chefe do Banco de Leite do HC, Maria Celestina Grazziotin, alguns tabus familiares continuam impedindo que muitos bebês sejam alimentados corretamente. A falta de conhecimento, nesses casos, atinge mulheres de todas as classes sociais.
Os erros mais comuns de informação estão relacionados à duração da amamentação e à adição de outros alimentos à dieta do bebê durante o período de lactação. A enfermeira explica que muitas ‘‘verdades’’ repetidas há anos por mães e avós são os maiores empecilhos para o cuidado correto dos bebês. É o caso da idéia de que o leite materno não é suficiente e precisa ser reforçado por sucos, chás e batidas servidas na mamadeira. ‘‘Até o sexto mês, toda criança consegue suprir suas necessidades alimentares exclusivamente com o leite da mãe’’, afirma Maria Celestina.
A enfermeira explica que os bebês têm uma fase de maturação dos órgãos internos, como estômago, intestino e rins, que pode ser prejudicada se houver a adição precoce de alimentos à dieta. Até mesmo o uso de verduras, legumes e algumas frutas somente deve acontecer após o sexto mês de vida, quando as necessidades das crianças passam a ser diferenciadas. Até este período, diz Celestina, o ideal é usar apenas o leite materno.
Outro erro de informação é que algumas mães não produzem leite. Celestina explica que, no momento do parto, todas as mães estão em condições iguais para a produção de leite. O que pode alterar a quantidade é a falta de estímulos recebidos pelos seios da mãe. Outra razão, cada vez mais comum, é o descompasso hormonal, provocado pelo estresse feminino. Neste caso, o abalo emocional pode alterar a produção normal de leite, dando a falsa impressão de que a mulher não está apta para amamentar.
‘‘As mães de hoje são filhas de uma geração em que o aleitamento materno foi deixado de lado’’, comenta a enfermeira. Ela cita exemplos dos apelos da indústria de alimentos, que continua criando novos tipos de leite em pó destinados exclusivamente a crianças. A idéia de que os produtos acrescidos de ferro e vitaminas são mais fortes que o leite materno também é incorreta. ‘‘Tudo o que o bebê precisa está no peito da mãe’’, lembra a enfermeira.
A chefe do Banco de Leite do HC também comenta que o leite materno funciona como uma ‘vacina’, capaz de proteger os bebês até a fase adulta. É pelo leite que a mãe transmite uma substância chamada imunoglobulina, que oferece resistência a todas as doenças que a mãe já teve. Pelas estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), as crianças que tomam leite materno têm 15 vezes menos chances de ter diarréias, e quatro vezes menos possibilidade de apresentar problemas como infecção de garganta e ouvidos. Segundo o levantamento da OMS, as crianças corretamente amamentadas também tendem a permanecer menos tempo nos hospitais.

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