A aprovação do projeto que doa a área de 90 mil metros quadrados que forma o aterro do lago Igapó 2, no Jardim Maringá (área central de Londrina), para a iniciativa privada motivou a realização de um abaixo-assinado, encabeçado pela escola Seta - Sensibilização, Educação, Trabalho, Atualização. A escola pretende coletar o maior número possível de assinaturas pedindo ao prefeito Antonio Belinati (PDT) que não sancione a lei.
O projeto, de autoria do Executivo, foi aprovado semana passada pelo plenário da Câmara, teve a redação final aprovada na sessão de segunda-feira e será encaminhado hoje ao prefeito. A educadora da escola, Mira Roxo, informa que até ontem haviam sido coletadas 300 assinaturas.
‘‘Nossa mobilização surgiu devido a incoerência da atitude dos vereadores. Existe uma lei que proíbe construções em fundo de vale. O projeto aprovado corre o risco de se tornar uma lei que vai contra uma outra lei já existente’’, comenta Mira Roxo. ‘‘Não queremos que nossas crianças tenham como modelo essa incoerência.’
A educadora ressalta que o segundo motivo que levou a escola a fazer o abaixo-assinado é a preocupação com a preservação de áreas verdes. ‘‘Qualquer cidade que se preze preserva suas áreas verdes. Construções no aterro podem abrir precedente para que aconteça o mesmo com outras áreas.’’ As assinaturas estão sendo coletadas na escola, que fica na rua Guararapes, 579, próxima ao Vale Verde (área central). O documento será encaminhado ao prefeito no início da próxima semana.
O presidente da Câmara, Adalberto Pereira (PFL), rebate a crítica feita pela educadora, afirmando que não houve incoerência por parte dos vereadores. ‘‘Foi aprovado um substitutivo, garantindo que não poderá ser feita nenhuma construção na área sem parecer do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e da AMA (Autarquia do Meio Ambiente). Os dois órgãos cuidam do meio ambiente e se não derem o sinal verde, o empreendimento não sai.’
O projeto foi aprovado na Câmara com apenas um voto contrário - o da vereadora Elza Correia (sem partido). De acordo com o projeto, a área será doada por meio de processo de licitação a uma ou mais empresas interessadas na implantação de um complexo voltado ao lazer, às artes, cultura, esportes, turismo, comércio e serviços; sendo proibida a instalação de supermercado ou congêneres, escritórios e locais de hospedagem.

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