O projeto que trata da doação de uma área para construção de um Pavilhão de Ofício, ao lado da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), no jardim Del Rey (zona sul), foi aprovado ontem, em terceira discussão, pela Câmara de Vereadores. O projeto, aprovado na forma de substitutivo, com dois votos contrários, irá agora para sanção do prefeito Antonio Belinati.
A doação do terreno foi a condição imposta pelo governo do Estado para construir, em 90 dias, a Prisão Provisória, também ao lado da penintenciária, em uma área já murada que antes seria destinada ao Pavilhão de Ofício da PEL. O substitutivo aprovado ontem, de autoria dos vereadores Antonio Ursi (PT) e Célio Guergoletto (PMDB), prevê que se o governo do Estado descumprir a lei ou destinar o imóvel para outra finalidade que não o Pavilhão, a doação será revertida à Associação dos Moradores dos jardins Acapulco e Del Rey. O governo tem 180 dias para iniciar a construção, a partir da promulgação da lei, e um ano para finalizar a obra, após o seu início. A área é de 6.033,82 metros quadrados.
A autoria do projeto original é de Salvador Francisco (PSDB). Antonio Ursi, que votou contra o projeto nas duas primeiras discussões, justificou o substitutivo afirmando que é uma forma de garantir que a área será destinada mesmo ao Pavilhão, e não à construção de mais celas. Apesar de também assinar o substitutivo, Célio Guergoletto acabou votando contra o projeto.
‘‘O substitutivo era apenas para amenizar o problema, mas eu sempre fui contrário à idéia de construir cadeias ou prisões na área urbana. Quando vi que um vereador da bancada do prefeito votou contra, eu também me levantei e resolvi ser contra’’, justificou Célio Guergoletto. O vereador Antenor Ribeiro (PPB) diz que não votou a favor do projeto por ter recebido vários telefonemas de moradores daquela região contrários à construção da prisão.
O líder do prefeito na Câmara, o vereador Renato Araújo (PPB), conta que esteve com Belinati anteontem à noite, em seu gabinete. ‘‘Ele disse que ouviu várias lideranças comunitárias sobre o projeto, umas favoráveis e outras contra, e disse que não tinha mais disposição de vetar’’, afirma.
Durante a discussão do projeto, o vereador Beto Scaff (PSDB), propôs a retirada de pauta da matéria por duas sessões, ‘‘para ver se o Governo iria mesmo licitar a obra’’ na próxima segunda-feira, dia 9, como foi prometido. O requerimento foi rejeitado.
Cerca de 20 moradores assistiram à votação e saíram da Câmara bastante contrariados. ‘‘Não vamos deixar construir nenhuma prisão lᒒ, afirma Antônio Aparecido da Silva. Outro morador, Renan Correia de Oliveira, afirma que eles irão se mobilizar e promover uma manifestação contra a obra. Eles lembraram que, no ano passado, durante a campanha eleitoral, Belinati entregou um documento se comprometendo a não construir Cadeia na zona sul.
No ano passado, os moradores se mobilizaram e impediram que a Câmara aprovasse projeto doando a área para a construção da Cadeia Pública no local. Recentemente, a associação de moradores da região conseguiu que parte desta área fosse doada para a entidade.

mockup