Doação de área não prevê contrapartida da PUC
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terça-feira, 25 de setembro de 2001
Maranúbia Barbosa<br> De Londrina 
O pedido de abertura de crédito especial de R$ 2,8 milhões para comprar o terreno que será doado à Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC), encaminhado pelo prefeito Nedson Micheleti (PT) à Câmara de Londrina anteontem, não estipula nenhuma contrapartida por parte da instituição ao município. Não há artigo expresso no projeto de lei determinando algum benefício social, como bolsas de estudo para alunos carentes. O terreno de 12 alqueires pertencente ao Jóquei Clube, na zona oeste da cidade, será desapropriado pela prefeitura, que depois doará nove alqueires para PUC construir um campus universitário em Londrina.
Segundo o prefeito, o dinheiro para a aquisição da área será viabilizado com uma adequação orçamentária entre as secretarias. Nedson disse que a prefeitura terá até o final do mandato para pagar o terreno. Ontem, o reitor da PUC, Clemente Ivo Juliatto, e o arcebispo de Londrina, Dom Albano Cavallin, se reuniram na Câmara com vereadores, secretários e o prefeito, para avaliar a instalação da universidade na cidade. Nedson pediu regime de urgência na tramitação do projeto.
Um dos artigos do projeto determina apenas que a universidade terá que iniciar as obras no primeiro ano após a doação. A PUC, conforme o projeto, perderá o terreno se dentro de três anos não investir no local o valor correspondente à doação. Para o prefeito, o nome da PUC é suficiente para confiar que a instituição realize obras sociais no município e reserve bolsas de estudo para carentes. O dinheiro público para incentivar uma instituição de ensino privado, na opinião de Nedson, é um investimento a médio e longo prazos na consolidação do município como um pólo educacional e tecnológico.
O reitor Clemente Ivo Juliatto garantiu que a PUC destinará bolsas parciais e integrais a alunos carentes. Ele afirmou que a meta é não permitir que pessoas fiquem sem estudar por falta de dinheiro. Entretanto, Juliatto não soube informar quantas vagas estarão disponíveis a essa clientela. ''Não sabemos quantos estudantes carentes irão procurar a PUC'', disse.
O presidente da Câmara, Tercílio Turini (PSDB), apóia a instalação da PUC em Londrina. Para ele, ''a cidade ganha com a criação de novos empregos e demais benefícios diretos e indiretos''. O vereador afirmou que a Câmara vai acompanhar de perto a negociação do terreno, para garantir transparência à sociedade. Segundo Turini, a contrapartida da PUC deverá ser cobrada pela Câmara.
Os cinco cursos programados para o ano que vem são secretariado executivo, direito, ciências contábeis, ciências da informática e administração de empresas. O reitor da PUC informou que a média das mensalidades ficará em torno de R$ 300,00, com alguns cursos mais caros e outros mais baratos. Segundo Juliatto, o preço médio é inferior ao cobrado por alguns ''jardins de infância''. Nos dois primeiros anos a PUC funcionará no prédio do Colégio Marista. O primeiro vestibular será realizado em janeiro de 2002.


