Lino Ramos
De Londrina
O Instituto de Hematologia e o Hemocentro do Hospital Universitário de Londrina (HU) enfrentam dificuldades com a ausência de doadores de sangue durante as férias de verão. A preocupação maior é com o tipo O negativo, que pode ser recebido por qualquer pessoa e precisa estar à disposição para atender acidentados em pronto-socorros.
Segundo a coordenadora do Hemocentro do HU, Denise Akemi Mashima, o número ideal de doadores seria de 50 por dia, porém a média normal é de trinta. Com a chegada das férias, essa média caiu para 10 pessoas diariamente. ‘‘Neste momento só tenho sete bolsas de sangue O negativo em estoque. Se entrarem três pessoas em estado de emergência no pronto-Socorro, acaba esse estoque’’, alerta.
Denise Mashima reclama que o acesso ao Hospital Universitário também atrapalha a colaboração dos voluntários. O HU fica na zona leste de Londrina, cerca de 10 quilômetros do centro da cidade. Há cada 15 dias a equipe do Hemocentro fazia uma coleta na área central de Londrina, usando o Cine-Teatro Ouro Verde, mas Denise Mashima disse que o espaço está sendo fechado para reforma e os profissionais ficaram sem local para o trabalho. A última coleta no Ouro Verde foi realizada no dia seis de janeiro, quando apareceram 30 colaboradores.
A alternativa é usar um ônibus e coletar sangue na região , porém não há recursos para o combustível do veículo e as despesas com a equipe. Quarta-feira em Cornélio Procópio foram coletadas 45 bolsas de 450 a 500 mililítros. Outra saída seria conseguir um espaço junto a uma empresa central, facilitando o acesso dos doadores, porque no HU só costuma ir quem tem parente internado. ‘‘O estoque de O negativo é normalmente baixo. Agora ele está perigosamente baixo’’, adverte Denise Mashima.
O Instituto de Hematologia de Londrina não está num momento crítico, pois segundo o diretor administrativo do IHL, Flávio Barutta Júnior, os doadores estão sendo convocados durante as férias. Mesmo assim a queda nas doações foi de 30% a 40% com o período de férias. ‘‘É uma situação ruim porque, nessa época, aumentam os acidentes de trânsito e ferimentos com armas brancas e armas de fogo’’, revela Barutta.
O Instituto de Hematologia é um órgão privado que atende 180 instituições de saúde da região norte do estado e recebe uma média mensal de 3.500 doadores.
Como a situação só deve ser normalizada após o carnaval, Flávio Barutta Júnior afirma que o IHL pretende realizar campanhas para conscientizar as pessoas sobre a doação de sangue. ‘‘Quando são convocados, os doadores se sentem supervalorizados e comparecem’’, explica.
De acordo comcoordenoda do Hemocentro do HU, menos de um por cento da população faz doações. ‘‘Nossa meta é tentar dobrar ese número a cada ano e se chegarmos a 5% estará bom’’. Na opinião dos especialistas, o doador ‘‘de repetição’’ é mais seguro para os hemocentros.