Mario CesarBom de papoLassing joga futebol com alunos: ‘Aqui no Brasil os ricos vivem como se a pobreza fosse em outro país’A Escola Pestalozzi, do jardim Franciscato (zona sul de Londrina), vai ganhar uma oficina de marcenaria. O administrador da região de Baden-Wurttemberg (Alemanha), Horst Lassing, esteve ontem na Cidade para conhecer a escola e fazer uma doação de US$ 10 mil. O dinheiro vai ser utilizado para equipar a oficina. ‘‘Nossa idéia é continuar apoiando a escola indefinidamente’’, ressalta Lassing.
Os recursos, segundo ele, foram conseguidos através da realização de campanhas e ações de um grupo de amigos junto à comunidade da região.
Em 96, o mesmo grupo se uniu ao jogador de futebol Elber Giovani de Souza, londrinense que joga na Alemanha (é atualmente centroavante do Bayern de Munique), e viabilizou a construção da escola-oficina, arrecadando R$ 300 mil para realização da obra. A instituição começou a funcionar em abril do ano passado e atende hoje 260 crianças e jovens, oferecendo reforço escolar e acompanhamento no horário alternado ao da escola regular.
Os jovens com mais de 13 anos podem optar pelas oficinas de costura, datilografia, cabeleireiro e padaria.
Para a presidente da entidade mantenedora da escola-oficina, Célia Maria de Oliveira, a implantação da oficina de marcenaria é a realização de um sonho antigo. ‘‘A marcenaria é um curso muito procurado porque a oferta de emprego é grande e permite, a médio prazo, que o jovem trabalhe como autônomo’’, diz. Segundo a secretária de Ação Social, Marisa Goethel do Nascimento, que acompanhou a visita do administrador de Baden-Wurttemberg ontem, a implantação da escola-oficina no jardim Franciscato - um dos bairros mais carentes da zona sul de Londrina - ajudou a tirar das ruas diversas crianças do bairro.
‘‘O objetivo do grupo sempre foi dar apoio a um projeto na área de educação. Ajudar a formar e recuperar jovens é o melhor investimento’’, afirma Lassing. A Sociedade Teuto Brasileira, presidida por Lassing, mantém outro projeto similar ao de Londrina em Niterói (RJ) há mais de 10 anos. Filho de diplomatas, ele viveu em Curitiba de 1946 a 1949, e hoje é presidente da Sociedade Teuto Brasileira do distrito de Baden-Wurttemberg. Ele explica que o povo alemão é sensível às questões sociais e tem uma preocupação constante em ajudar outros povos.
Na Alemanha, afirma Horst Lassing, a pobreza não atinge os níveis brasileiros. ‘‘Não existe da forma como é entendida aqui’’, esclarece. Explica que o trabalhador recebe o salário desemprego por dois anos e, se não conseguir emprego através dos canais do governo, passa a receber uma ajuda social. Uma família de quatro pessoas, por exemplo, recebe cerca de US$ 1.300 por mês. Para Lassing, os ‘‘ricos brasileiros’’ não têm responsabilidade social. ‘‘Aqui os ricos vivem como se a pobreza fosse em outro país e eles não tivessem nada a ver com isto’’.

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