Doa corpo para a universidade
Dimitri do Valle
De Curitiba
A auxiliar de escritório Maria Gorete Alves da Silva, 34 anos, resolveu dar uma contribuição aos cursos de medicina: registrou ontem à tarde em cartório uma autorização para doar o corpo à Universidade Federal do Paraná (UFPR) no dia em que morrer. Maria integra uma campanha deflagrada por professores da UFPR para alertar a população de que não há cadáveres suficientes para os universitários estudarem.
Esperamos que com essa divulgação mais pessoas se tornem doadoras de corpo e de órgãos, afirma Maria. O chefe do departamento de anatomia da UFPR, José Geraldo Calomeno, garante que a família que resolver doar o corpo de um parente poderá realizar o velório. O corpo pode ser velado normalmente, mas ao invés de ser enterrado, o corpo vai para a universidade, diz. O professor acha que a doação se reverterá em benefício da própria comunidade.
O uso de cadáveres em cursos universitários como o de medicina e enfermagem serve para que os acadêmicos conhecem a anatomia humana e possam realizar intervenções cirúrgicas simuladas. Os cadáveres são essenciais para uma melhor formação dos profissionais que saírem das universidades, explica José Calomeno. O doadora Maria Gorete Alves da Silva, que trabalhou em hospitais durante 20 anos, sentiu de perto a dificuldade dos estudantes. Além de Maria, outros sete parentes vão doar corpo e órgãos para a medicina.





