Do que morre o paranaense
O ano é 2009. O estado é o Paraná, com o sexto melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil. Mas ainda tem gente que morre por conta da ação de parasitas. De acordo com números da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), as doenças infecciosas e parasitárias são a quinta maior causa de morte no Estado. Em 2007, aproximadamente dois mil morreram por conta dessas doenças, segundo dados oficiais.
Essa estatística pode ser ainda mais assustadora, pois em muitos casos não há o diagnóstico das doenças entre a população. O caso de Bandeirantes serve como exemplo. Quanto mais procuram, mais casos de esquistossomose os agentes de endemias encontram. Apesar de toda a área das regionais de saúde de Londrina, Cornélio Procópio e Jacarezinho serem endêmicas para a doença, poucos municípios da região registram casos de barriga d'água, doença de notificação obrigatória.
E o bichinho da barriga d'água não é o único que mata. Em 2007 cinco pessoas morreram no Paraná por causa de dengue, doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. No ano passado foram dois óbitos. ''É inadmissível que a dengue ainda mate'', lamenta a coordenedora da divisão de doenças transmitidas por vetores da Sesa, Márcia Gil.
Outro mosquito que ataca os paranaenses, o birigui - da família Psychodidae -, é menor do que o pernilongo comum. Esse inseto, que vive nas matas, transmite o parasita que causa a leishmaniose, doença que provoca graves lesões ulcerosas na pele e pode causar deformações em nariz e lábios. Foram contaminados 556 paranaenses em 2007.
Uma doença infecciosa pré-histórica, causada por um protozoário do gênero Anopheles, a malária, também ataca no Paraná. Os municípios atingidos são da Costa Oeste, às margens do Lago de Itaipu. Até o dia 12 deste ano, 19 casos autóctones foram registrados no Estado.
Porém, para o infectologista André Bortoliero, de Londrina, a doença que mais preocupa é a febre amarela, causada por um vírus. O ciclo da doença é mantido por macacos infectados e a transmissão para o homem acontece por meio de mosquitos do gênero Haemagoggus e Sabethes. Entre humanos, o agente transmissor pode ser o Aedes aegypti. ''A febre amarela tem um índice de mortalidade muito elevado. Se o vírus cair no Aedes a situação se complica'', alerta.
No início de 2009, pelo menos 10 pessoas morreram no estado de São Paulo, em região de fronteira com o Norte Pioneiro do Paraná, por causa da febre amarela. Segundo Marcia Gil, mosquitos que transmitem a doença foram capturados em Carlópolis, Ribeirão Claro e Maringá. Os exames que confirmam se eles portavam o vírus da doença ainda não estão prontos.
Verminoses
''Determinação da prevalência de casos de infecção parasitária em moradores das regiões periféricas da cidade de Londrina''. Esse é o título do projeto de extensão que o biomédico e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Valter Murad, coordena. Feito em parceria entre a UEL e a Prefeitura de Londrina, o projeto atende moradores da periferia, constatando problemas e ajudando a resolvê-los, oferecendo tratamento aos doentes.
A prova da eficácia do tratamento vem através de números. Em 1997, 69% da população submetida a exames apresentava algum tipo de parasitose. Atualmente, o índice é de 26,5%. ''É um povo que está à mercê das doenças. Por isso, submetemos a exames mesmo aqueles que não apresentam qualquer sintoma'', explica. (W.S.)





