Do lado de fora, o sofrimento dos pais
Do lado de fora, o sofrimento dos pais
Não basta ser pai, tem que participar, martelou durante anos, no consciente popular, a propaganda daquela pomada contra dores causadas por batidas. E quando o assunto é vestibular, muitos pais e mães levam a sério o conselho. A bióloga e empresária Débora Guimarães, por exemplo, está participando ativamente dos dois vestibulares que a filha Raquel, 17 anos, presta simultaneamente nas universidades estaduais de Maringá e Londrina.
Elas moram em Maringá (90 km a oeste de Londrina), onde Raquel tenta uma vaga no curso de ciências contábeis. Em Londrina, a opção da candidata, que ainda cursa o último ano do 2º grau, foi por odontologia. Na tarde de ontem, Débora aguardava com ansiedade a saída da filha no Centro de Educação Física da UEL. Estes dois primeiros dias foram tranquilos, apesar de cansativos. A gente acorda às 6 horas para - depois do banho e do café da manhã - estarmos na Universidade de Maringá antes do início das provas, às 8 horas, conta Débora.
Depois de deixar a filha na UEM, ela volta para casa, onde fica torcendo e preparando o almoço da família. Quando a Raquel termina as provas, ela me telefona. Já estou com a comida pronta. Pego ela na universidade e viajamos para Londrina. Só almoçamos quando chegamos aqui na UEL. Terminadas as provas daqui, voltamos para casa para jantar e dormir; que amanhã cedo começa tudo de novo. É corrido, mas certamente vai valer o sacrifício.
O funcionário público José Rafael Godinho reside em Ponta Grossa (quase 300 km ao sul de Londrina) e também não abriu mão de participar, com o filho Rafael, 17 anos, do vestibular de inverno da UEL. Eles estão alojados em uma chácara da cidade. Enquanto as provas acontecem, ele gasta o tempo lendo e ouvindo músicas na praça em frente ao Colégio Estadual Maria Aguilera, no Conjunto Habitacional Cafezal 4 (zona sul).
Meu filho tenta uma vaga em jornalismo. Como é o primeiro vestibular dele e a concorrência está muito grande, resolvi vir dar uma força pessoalmente. Apesar de ainda estar terminando o colégio, o Rafael está bem preparado e bastante esperançoso. Eu fico aqui torcendo e dando o respaldo que ele merece, afirma José Godinho.
E há os que participam de maneira ainda mais ativa. É o caso dos pais do vestibulando Neversolino Teixeira Júnior, 19 anos, que tenta uma vaga no curso de enfermagem pela terceira vez. Na tarde de ontem, o casal Neversolino e Neuza Teixeira veio da zona norte da cidade para torcer, ao lado do Colégio IEEL (área central da cidade), pelo desempenho e sucesso do filho.
Sentados em cadeiras que trouxeram de casa, os pais mostravam a tranquilidade de veteranos. Como sou aposentado, felizmente tenho tempo para acompanhar meu filho de perto. Por isto, convidei a Neuza e viemos torcer em bloco. Nossos outros dois filhos já são casados. Acreditamos que a nossa presença transmita a calma, força e segurança que o Júnior precisa para se sair bem nas provas, explica Neversolino Teixeira, que é subtenente da reserva da Polícia Militar. (O.C.)





