Do Jubileu de Ouro à ocupação do Flores do Campo
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terça-feira, 03 de janeiro de 2017
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 

Como Londrina mudou desde o seu Jubileu de Ouro, em 1984, até os dias de hoje? Muitas pessoas podem relatar essa transformação recorrendo à memória, mas recentemente o Google lançou uma ferramenta que apresenta a evolução urbana de vários municípios de 1984 a 2016. Trata-se do Google Earth Engine - Time Lapse (https://earthengine.google.com/timelapse/), que permite acompanhar esses 32 anos de mudança vistos do alto em menos de 4 segundos.
É como se fosse possível viajar no tempo. Por meio dela é possível perceber que o tecido urbano londrinense teve um representativo aumento em sua área. Pelas imagens é possível perceber que um dos bairros mais recentes é o Residencial Flores do Campo (zona norte), que foi ocupado este ano, implantado em meio a plantações de soja.
Segundo a professora de planejamento urbano da UniFil e da Universidade Estadual de Londrina, Elisa Roberta Zanon, ferramentas como essa são muito importantes para acompanhar o crescimento da cidade. "É bem interessante. O planejamento urbano precisa de dados e informações, caso contrário não se consegue propor nada. Atualmente muita informação foi colocada à disposição da população. Para se ter uma ideia, recentemente tive acesso a uma fotografia aérea da cidade, da década de 70, em que estava escrito 'confidencial' na parte de trás", relata.
Segundo Elisa, na década de 80 a cidade era muito mais concentrada no centro, embora já tivesse alguma concentração na Avenida Inglaterra e o centro cívico já tivesse saído da área central. "A zona norte, por exemplo, teve sua centralidade desenvolvida a partir da década de 80. Até então não tinha quase nada por lá, embora já existissem alguns conjuntos habitacionais desde os anos 70", observa.
Ela aponta também para a região da Gleba Palhano, cuja verticalização surge a partir da década dos anos 2000, embora ache que esse processo tenha sido realizado sem atentar para a vocação da área. "É uma área difícil para a verticalização. A Gleba Palhano ficou aprisionada entre a rodovia PR-445 e o Lago Igapó. O bairro tem apenas três acessos, prejudicando a mobilidade da população", aponta.
Segundo ela, a cidade não pode ser discutida apenas pelo zoneamento, mas por sua vocação. "Toda urbanização gera um determinado impacto, mas é possível ter um impacto menor", afirma. A professora afirma que falta clareza nas diretrizes de ocupação do espaço em Londrina . "Antes de eu saber que determinada área vai ter vocação residencial, tenho que saber o quanto eu posso ocupar e impactar aquela área. Tenho que analisar a questão de infraestrutura, relevo, sistema hídrico, conexão e expansão. Isso tudo deve ser feito antes de realizar um zoneamento", aponta. Na Gleba Palhano, por exemplo, o maior impacto foi a impermeabilização do solo. "Era uma área permeável e hoje não é mais. O Lago Igapó transbordou por causa disso. Se a sua urbanização tivesse sido melhor pensada, se evitaria esse tipo de coisa", analisa.
De acordo com a professora, a cidade ainda possui muitos vazios urbanos. "Entre a zona norte e o centro ainda tem muitos vazios, eles ainda estão se amarrando. Quando isso acontece, quem ganha é quem possui terrenos no meio. Eles acabam se valorizando mais. Por outro lado dificultam o acesso desses lotes pela população, já que os preços saem mais caros do que se fossem adquiridos na borda da cidade."
A professora cita o Residencial Vista Bela (zona norte) como exemplo. "O bairro foi criado na borda da cidade e os terrenos entre ele e o restante da cidade valorizaram mais do que se eles fossem adquiridos na expansão do município", destaca.
Em estudo publicado pelo geógrafo Agnaldo da Silva Nascimento foi registrado que no período entre 1970 e 1981, 84,64% da área de Londrina estavam representados por vazios urbanos. Dos 29.970 lotes da zona sul da cidade, 25.369 eram vazios urbanos. No processo de revisão e atualização do Plano Diretor Participativo, pode-se observar que, no ano de 2006, aproximadamente, essa proporção caiu para 30% da área urbana de Londrina.
Na década de 80 houve a implantação de 34 loteamentos, exceto em 1985, no qual nenhum loteamento foi aprovado. Em 1986 a mancha urbana ocupava 79,83 km², número que passou a 94,88 km² em 1998 e para 149,42 km ² em 2008. A década de 2000 foi marcada pelo aumento da presença dos condomínios fechados, mais afastados do "eixo de integração" das cidades vizinhas e que contribuiu para o surgimento de vazios urbanos. A partir do detalhamento dos dados, era possível visualizar que do total de 30% dos vazios urbanos, 15% eram vazios de grandes extensões, não loteados; enquanto os outros 15% eram de vazios urbanos de menor extensão, em torno de 250 m² a 500 m².


