A barulheira urbana, no geral, é capaz de causar muito mais do que irritação: desestabiliza a parte emocional das pessoas e, consequentemente, leva à hipertensão arterial, alterações do sono, transtornos comportamentais, entre outras possíveis doenças. Mas, e o risco de surdez, quem deve se preocupar com isso?
''Aqueles que passam mais de oito horas por dia expostos a algum tipo de ruído acima de 85 decibéis, em ambiente fechado'', responde o otorrrinolaringologista Murilo Henrique de Carvalho. Ele esclarece que o problema não está só no volume, mas na quantidade de horas em exposição ao ruído. Para saber quanto o ouvido humano tolera - e assim estabelecer normas trabalhistas - existe uma tabela estabelecida pelo Ministério do Trabalho.
Carvalho explica que zumbidos e chiados no ouvido são sinais de que a audição pode estar sendo comprometida. Se persistir em ambiente com barulho acima do nível aceitado por mais de quatro ou cinco anos, segundo o médico, a pessoa passa a perceber redução lenta e progressiva da audição.
''É a chamada Pair (perda auditiva induzida pelo ruído), que é progressiva e bilateral. Não tem tratamento. Porém, uma vez que a pessoa se afasta daquele ambiente, se estabiliza'', explica. Carvalho ressalta que os afetados pela Pair passam a ter dificuldade para detectar os sons agudos, como telefone e campainha.
Para evitar a Pair, é recomendável o uso do protetor de ouvido, que tem capacidade de reduzir o volume total do ruído entre 30 e 35 decibéis. (G.M.)

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