A casa no Jardim Santa Fé (Zona Leste de Londrina) é simples e o presépio também. O encanto vem da paixão com que a aposentada Maria Conceição Pirolla, 70 anos, cuida de cada detalhe. Há 40 anos, ela faz questão de todo começo de dezembro reservar um tempo para transformar uma pequena cozinha em um espaço de luz, alegria e esperança para celebrar o Natal.
Há 17 anos, ela passou a contar com a ajuda do esposo, Sebastião Ferreira Diniz, 72. Desde então, os dois se esmeram em fazer uma decoração natalina cada vez mais rica em detalhes e cheia de significados. Dona Conceição conta que sempre gostou de presépios porque acha que estes cenários, que remetem ao nascimento de Jesus Cristo, renovam as esperanças das pessoas. ''Tendo um Natal assim a gente fica com outro espírito no coração'', comenta.
O único episódio mais triste nestes anos todos de dedicação aconteceu em 1982. Um incêndio em sua casa destruiu praticamente todo as peças que havia juntado até então. Ela conseguiu salvar apenas os três Reis Magos e o Menino Jesus, que ainda guardam algumas marcas das chamas.
Dona Conceição, no entanto, não se entregou. ''Comecei a juntar tudo de novo até montar outro presépio'', conta. Algumas peças foram recebidas em doação, outras, ela comprou, e o que não conseguiu achar ela mesma construiu usando isopor. Há até um monjolo movido à água. E, para não ficar parada no tempo, dona Conceição acrescentou atualidade ao seu presépio. Estão lá uma pequena motocicleta, carrinhos em miniatura, luzes pisca-piscas e uma pequena igrejinha com uma minúscula imagem de Nossa Senhora. ''Acho que fica mais bonito contar as coisas desde o começo do mundo até os dias de hoje'', argumenta.
Como foram os primeiros moradores do Santa Fé, o trabalho do casal, que demorou dois dias para ficar pronto, chama a atenção da vizinhança. ''Vem bastante gente ver e todo mundo acha bonito'', orgulha-se. Mas dona Conceição anda temerosa. Isto porque até agora nenhum de seus nove filhos, 20 netos e três bisnetos demonstraram interesse em manter a tradição. ''Não posso deixar de fazer porque hoje em dia está todo mundo muito descrente'', lamenta.

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