Do Centro de Londrina à periferia: o comportamento frente à Covid-19

Mapa de casos por região em Londrina mostra que área central é o território com maior número de casos. Nas periferias, distanciamento não traz tanto impacto no comportamento

Laís Taine - Grupo Folha
Laís Taine - Grupo Folha

O mapa de casos confirmados de novo coronavírus apresentado  no boletim diário da Prefeitura de Londrina mostra que a região central é ainda a mais impactada pela doença. Enquanto isso, alguns bairros nas extremidades da cidade registraram pouca ou nenhuma confirmação. Independente da aproximação da doença, em todas as regiões há diferentes comportamentos e percepções sobre a Covid-19.



Jamile Dequech, na zona sul
Jamile Dequech, na zona sul | Gustavo Carneiro - Grupo Folha
 




O mapa considera o território de abrangência das unidades de saúde. Na extremidade sul, o conjunto Jamile Dequech não teve registros de Covid-19, mesmo assim, Sidney da Silva dos Anjos, 50, comerciante e morador do bairro, não se arrisca: na frente da mercearia tem um cartaz escrito à mão sobre a proibição da entrada de menores de 12 anos e pessoas sem uso da máscara. 




JAMILE DEQUECH

“O pessoal aqui de vez em quando chega e não quer entrar de máscara, tem que alertar, discutir”, relata. No entanto, diz que a maioria dos vizinhos tem respeitado as orientações. Ele tem um irmão internado com testes confirmados para Covid-19, um morador do Cafezal (sul), que diz não saber de onde ter contraído o vírus. “Ele nem desconfia onde pegou, se sentiu mal e depois descobriu”, aponta. 

Sidney da Silva dos Anjos tem um comércio na zona sul e afirma que maioria respeita as orientações
Sidney da Silva dos Anjos tem um comércio na zona sul e afirma que maioria respeita as orientações | Lais Taine - Grupo Folha
 


O comerciante afirma que algumas pessoas ainda subestimam a doença justamente por não conhecerem alguém que tenha passado pela confirmação. “Muita gente compara com a dengue, porque aqui nós tivemos infestação, muitos casos de dengue, e o pessoal comenta que só se fala de Covid-19 e se esquecem da dengue”, aponta.  


'NO BAIRRO NÃO USO'

No mesmo bairro, Dulcineia Ferreira Perez, 50, aguardava o transporte no ponto de ônibus sem máscara. “Não vou dizer que uso, porque não é verdade. No bairro eu não uso, eu coloco para entrar no ônibus, para entrar em algum comércio, quando visito a minha mãe e lá no Centro eu uso também”, confessa.  


Ela afirma que os vizinhos têm respeitado e que, diferente de outros grandes estabelecimentos, nos comércios do bairro os idosos e crianças não são autorizados a entrar. “Minha mãe é idosa, ela foi no mercado aqui e não a deixaram entrar, ela ficou nervosa, mas eu expliquei que é para o bem dela”, comenta.  


Ela afirma que no conjunto Jamile Dequech, onde vive, quase não se vê idosos circulando nas ruas, mas durante à noite vê os mais jovens transitando e algumas rodas de narguilé, mesmo com o decreto proibindo a atividade. 


PARQUE INDUSTRIAL

No vizinho Parque Industrial também não houve notificações, mas em uma das avenidas do bairro alguns comércios estavam abertos mesmo antes das 10h, horário de abertura definido por decreto municipal. Algumas pessoas faziam fila, aguardando atendimento em loja de materiais de construção. "Quase não saio de casa, estou afastado do trabalho, então fico mais dentro de casa. Quando saio, vejo o pessoal usando máscara, se cuidando, estão saindo mais para comprar alguma coisa", comenta José Freitas.


PADOVANI

No território atendido pela UBS do jardim Padovani (norte), um registro está marcado no mapa, mas a moradora do bairro vizinho, o Vista Bela, acredita que as pessoas estão afrouxando o isolamento. “Algumas nem acreditam mais, estão relaxando. A gente vê que nem todo mundo leva a sério”, comenta Clarice Bueno, 52.  


"Algumas não acreditam mais", comenta Clarice Bueno, moradora do conjunto Vista Bela (norte)
"Algumas não acreditam mais", comenta Clarice Bueno, moradora do conjunto Vista Bela (norte) | Lais Taine - Grupo Folha
 


Com máscara, ela afirma que está se protegendo como pode e só sai para o que for necessário. Assim como ela, muitas pessoas têm considerado as orientações, mas ela acredita que existe uma parcela que não ainda não se conscientizou, fazendo festas e rodas de narguilé. “Cada um tem uma maneira de pensar, algumas regiões eu percebo que se cuidam mais”, afirma.  


CENTRO 

O número de pessoas circulando no Calçadão preocupa os moradores. “O pessoal não respeita, as pessoas vão em lojas para comprar coisas que não têm tanta necessidade, a gente vê filas nos comércios, nos bancos. Nós que moramos aqui no Centro acabamos sofrendo com a movimentação na região”, afirma um morador do edifício Tuparandi, que pediu para não se identificar. 


Calçadão de Londrina
Calçadão de Londrina | Gustavo Carneiro - Grupo Folha
 


Ele vive na rua professor João Cândido e tem duas tias vizinhas que são mais velhas e precisam de ajuda para as compras. Ele, que também está no grupo de risco, acaba enfrentando o comércio da região. “No comércio em si, eles não deixam entrar sem máscara, dispõem álcool em gel, o problema é que as pessoas não deixaram de circular e elas não respeitam”, aponta. Durante a conversa, ele foi apontando as pessoas que não estavam utilizando máscara. 


UMA FARSA

Em uma praça do Calçadão, um grupo de senhores foi abordado pela reportagem. Alguns mencionaram não acreditar na gravidade do novo coronavírus e dizem que a pandemia é uma farsa. Enquanto um criticou a posição das autoridades outro defendeu a forma como a pandemia está sendo conduzida na cidade. O grupo também questionou sobre os números da dengue. 




Sobre o novo coronavírus da cidade, desde o início da pandemia, Londrina registrou 413 casos confirmados, 337 estão aguardando exames e 24 óbitos. Os dados são do boletim da Prefeitura de Londrina, divulgado no domingo.  

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