DNER é impedido de retirar lombadas
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quinta-feira, 02 de outubro de 1997
Edna Mendes Guarapuava 
Os sem-terra acampados nas proximidades da BR-373, em Candói (76 quilômetros a oeste de Guarapuava), impediram que funcionários do Departamneto Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) retirassem as duas lombadas construídas por eles na rodovia. As lombadas já provocaram dois acidentes.
Os obstáculos foram construídos com pedras, paus e terra, depois que Maria Inês Ribas, 9 anos, morreu atropelada por um carro que passou em alta velocidade na semana passada. No ínicio desta semana, as lombadas provocaram dois acidentes, que envolveram quatro carros. Em um dos acidentes, a dona-de-casa Hilda Catusso, 49 anos, ficou gravemente ferida.
Mesmo acompanhados pelas polícias militar e rodoviária, os funcionários do DNER encontraram resistência por parte dos sem-terra e não puderam executar o serviço. Eles permitiram apenas que as lombadas fossem rebaixadas. O engenheiro chefe do Núcleo de Engenharia Rodoviária do DNER, Gilberto Kuhn, disse ontem que a chefia do DNER em Curitiba foi informada da situação e deve acionar a procuradoria do Estado. Ele disse também que as polícias militar e rodoviária não quiseram dar proteção para que os funcionários pudessem retirar as lombadas do local.
O comandante da 6ª Companhia de Polícia Rodoviária Estadual, tenente Robertinho Dolenga, disse que apenas cinco policiais estavam no local e que devido a resistência dos sem-terra os policiais preferiram evitar o conflito. Segundo Dolenga, na semana que vem será solicitado um pelotão de 30 policiais militares para que o DNER possa retirar as lombadas da pista.
O prefeito de Candói, Waltzer Donini (PPB), disse que está desapontado com as autoridades competentes, que têm conhecimento da situação mas não tomam nenhuma atitude. Este acampamento na rodovia está causando graves problemas sociais e de segurança pública. São vidas que estã sendo colocadas em risco, afirmou.


