DNER adia privatização de estradas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de agosto de 1998
Dimitri do Valle 
A definição da data final para entrega de propostas das empresas que pretendem explorar as rodovias que ligam São Paulo, Curitiba e Florianópolis foi adiada pela segunda vez pelo diretor-geral do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), Maurício Borges. A assessoria de imprensa do DNER informou que o novo adiamento foi provocado pelos questionamentos feitos pelas empresas a todos os itens do edital de licitação de privatização do chamado Corredor Mercosul. O edital foi lançado no dia 2 de abril.
As previsões são de que até o final deste mês saia a data-limite para a entrega das cartas de pré-qualificação da concorrência internacional. A direção do DNER espera anunciar as concessionárias vencedoras até o final deste ano, cumprindo o cronograma estabelecido. As empresas ganhadoras da licitação poderão explorar o uso das rodovias, através da cobrança de pedágio, por um período de 25 anos. O preço deve ficar em média na casa dos R$ 3,00. Duas praças de pedágio serão instaladas no Paraná.
A concessão será dividida em dois lotes. O primeiro abrange os 401,07 quilômetros de extensão da BR-116 entre Curitiba e São Paulo. O segundo lote compreende o Contorno Leste de Curitiba, a BR-376 e a BR-101 até Florianópolis. O trecho possui 375,6 quilômetros de extensão. As empresas vencedoras ficarão responsáveis pela manutenção e aplicação de investimentos na modernização das rodovias.
Quem vencer em Santa Catarina poderá sair lucrando, pois o governo federal entregará uma rodovia nova para a iniciativa privada. O trecho de 260 quilômetros da 101 entre o município de Garuva (SC), na divisa com o Paraná, e a capital Florianópolis está sendo duplicado pelo governo federal através de empréstimos de um banco japonês. A conclusão da obra está prevista para o final de 99.
Os caminhoneiros paranaenses acompanham mais uma privatização de rodovias com bastante insatisfação. Para nós não é bom, afirma o caminhoneiro Durval Cecon, 25 anos, de Campina Grande do Sul. Ele exemplificou que nas viagens que realiza pelo Anel de Integração, já entregue às concessionárias, tem um aumento de despesa que alcança cerca de 10%. O cara já paga um monte de impostos para que a estrada fique arrumada e agora querem privatizar tudo. Aí é brincadeira, reclama. O caminhoneiro Ivonei Bernaski, 28 anos, há sete cruzando a BR-116, diz que a privatização é prejuízo na certa para nós. Ele considera que não adianta apenas embelezar as estradas, mas aumentar a segurança das rodovias.O órgão para o final deste mês seja definida a data-limite para entrega das cartas de pré-qualificação da concorrência
Fotos: Albari RosaCom a privatização, a BR-116 deverá ser totalmente duplicada até São Paulo. Apesar disso, ocaminhoneiro Ivonei Bernaski reclama da cobrança de pedágioO preço do pedágio
deve ficar em média
em R$ 3,00. Duas praças
serão no Paraná


