Django foi, no máximo, espião
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de abril de 1997
Da Redação e 
Agência Estado
O Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) rebateu, ontem, a informação de Sônia Gonçalves, ex-mulher do segurança morto no domingo em Tamarana, José Lopes de Oliveira - conhecido como Django -, segundo a qual ele teria participado do MST na região de Andradina (noroeste do interior paulista).
De acordo com o diretor regional do MST em Londrina, Pedro Bonfim, as direções estaduais e nacional do movimento realizaram um levantamento e não encontraram ficha de inscrição e nenhum indício de que José de Oliveira tenha participado do MST como militante.
Isto é papo-furado para tentar confundir a opinião pública e complicar as investigações policiais. O máximo que pode ter acontecido é o Django - que era pistoleiro profissional - ter se infiltrado em nosso movimento, como espião, para conseguir as informações que depois usaria nas negociações com os latifundiários e em seu trabalho de ameaçar, expulsar e atrapalhar a vida dos trabalhadores sem-terra, afirma Pedro Bonfim, lembrando que este tipo de infiltração é comum e que a direção do movimento está atenta para impedir casos semelhantes.
As lideranças do MST de Andradina (SP) consideraram possível que José Lopes de Oliveira tenha integrado grupos de acampados que ocuparam fazendas na região de Andradina, mas que acabou desistindo da causa.
O envolvimento com os sem terra, segundo a irmã de Lopes, Nair de Oliveira, aconteceu quando o Sindicato dos Trabalhadores Rurais convocou todas as famílias residentes na periferia da cidade, para que se inscrevessem no movimento. Na Vila Mineira, zona norte de Andradina, onde morou durante muitos anos, Django foi vizinho de líderes sem-terra.
A mãe dele, Umbelinda de Oliveira, disse que não conseguiu assistir às cenas da TV onde o filho aparece insultando os invasores da Fazenda Borborema.


