O lançamento do programa de prevenção de câncer de cólo de útero pelo Ministério da Saúde está confundindo as mulheres do Estado. A conclusão é dos órgãos de saúde pública de Campo Mourão e ocorre porque a Secretaria de Estado da Saúde já mantém programa semelhante desde outubro do ano passado. ‘‘As mulheres estão procurando os postos novamente pensando que se trata de um outro tipo de exame’’, diz a chefe da 11ª Regional de Saúde, Nilma Ladeia de Carvalho Dias. ‘‘Na verdade, o exame já feito vale por três anos’’.
Um dos motivos da confusão está na forma como o programa lançado pelo MS vem sendo divulgado. A divulgação pede para que as mulheres façam o exame de ‘‘Papa Nicolau’’ - nome dado ao exame devido ao seu médico criador - enquanto o programa já desenvolvido no Estado nunca usou essa nominação, preferindo apenas termos como ‘‘prevenção’’ e ‘‘controle’’.
A secretária de Saúde de Campo Mourão, Rosemeire do Carmo Martello, faz a mesma reclamação. ‘‘Está havendo uma corrida aos postos de saúde e estamos recebendo muitas reclamações’’, diz. Rosemeire conta que as mulheres estão chegando aos postos de madrugada e formando grandes filas. ‘‘Elas querem marcar consulta com o médico para a coleta do material e se revoltam quando as consultas acabam’’.
A secretária diz que chegou a ser acusada por uma mulher de estar recebendo dinheiro do Ministério da Saúde e não estar fazendo nada. ‘‘Elas pensam que se trata de alguma coisa nova e se decepcionam com um exame que já fizeram’’. Uma outra procurou o posto de saúde pensando que o ‘‘Papa Nicolau’’ poderia curar o câncer dela. Para tentar acalmar as mulheres, a secretaria vai marcar um sábado no qual todos os postos deverão ficar abertos somente para coletar material para o exame de prevenção ao câncer ginecológico.
Desde que foi implantado, em outubro, o Programa Estadual de Controle e Combate ao Câncer Ginecológico já realizou 8.671 exames nos 25 municípios da região de Campo Mourão, dos quais apenas 0,40% deram positivo. Em todo o Estado, foram 244 mil exames. O número é bem maior que antes da existência do programa, quando os municípios tinham uma cota limitada de exames para fazer. A meta do programa prevê 4.045 exames mensais nos 25 municípios da região, sendo 1.000 somente em Campo Mourão. Uma das vantagens é que todas as mulheres atendidas pelo programa estão sendo cadastradas. Por enquanto, o cadastro está centralizado em Curitiba e não há como o posto de saúde saber se a mulher já fez ou não o exame.
Outra diferença entre os programas do Estado e do Ministério da Saúde está na faixa etária atendida. No programa estadual, o público alvo são mulheres entre 30 e 49 anos, renquanto no MS a faixa vai de 35 a 49.

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