Divulgação de fita será investigada
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sexta-feira, 27 de outubro de 2000
Luciana Pombo De Curitiba 
O ministro da Justiça, José Gregori, disse ontem em Curitiba que poderá divulgar, na semana que vem, o resultado das investigações sobre a origem das cópias da fita que mostra cenas de sessões de tortura contra uma menina de três anos de idade, praticadas por Marcelo Moacir Borelli. O acusado é apontado como um dos principais líderes de quadrilhas especializadas em assalto a carros-fortes e contrabando de armas. Ainda não sabemos com certeza quem fez as cópias da fita e divulgou para os meios de comunicação. Mas teremos condições de dizer isto na semana que vem, declarou ele.
José Gregori disse que mandou a Polícia Federal de Brasília e de Curitiba investigar o início do desvio do material, apreendido no último dia 15, na residência de Maria Ilda de Carvalho (tia de Borelli, citada pela menina torturada em vários momentos da fita e que supostamente teria participação ativa nas sessões de tortura). As investigações sobre o crime de contrabando e assalto contra Borelli estão sendo feitas pela Polícia Federal. Em relação à tortura, as investigações estão a cargo da Promotoria de Investigações Criminais (PIC). O Ministério Público e a Justiça saberão julgar convenientemente este caso, afirmou ele.
O ministro comentou ainda que apresentou uma representação no Ministério Público de São Paulo impedindo que as imagens da fita sejam novamente veiculadas pelo Programa do Ratinho, no SBT. Houve uma infração legal e que poderá ser objeto de um processo penal. Detectei o abuso e fiz o que deveria, declarou ele, ao considerar que a fita não poderia ser exibida por se tratar de menor.
Além de Borelli, que está preso em Brasília, estão sendo investigados pela prática de tortura Maria Ilda de Carvalho, Maria Cristina Pereira Marques (supostamente amante de Maria Ilda) e Zenice Pires (mãe da menina torturada).
Trajeto da fita De acordo com a Polícia Federal de Curitiba, o vídeo com as imagens de tortura foi apreendido na casa onde estava Borelli, em São José dos Pinhais, no último dia 15, data em que foi preso em uma praça de pedágio entre Curitiba e Ponta Grossa. Nesse mesmo dia, o material com as gravações foi enviado à Vara de Infância e Juventude de Curitiba. No dia 19, a Justiça teria devolvido a fita à Polícia Federal, que imediatamente remeteu o material à Promotoria de Investigações Criminais (PIC), encarregada das investigações do caso.
Ainda de acordo com a PF, no dia 20 as imagens foram divulgadas pela TV Iguaçu (SBT), de Curitiba, e depois, em rede nacional, pelo Programa do Ratinho.


