Londrina - O Senado aprovou proposta para que irmãos que cursam a educação básica tenham vagas garantidas na mesma escola pública. O projeto, que ainda deve ser sancionado pela presidente Dilma Rousseff, pode trazer mais tranquilidade aos pais, que não precisarão se preocupar em ter que levar os filhos para escolas diferentes, o que muitas vezes causa transtornos na rotina familiar.
Entretanto, até que ponto é positivo manter irmãos na mesma escola e até na mesma sala de aula, no caso de gêmeos ou irmãos com idades próximas? A pedagoga Lucy Mara Conceição, da Escola Estadual Tiradentes, no Parque Bom Retiro, na área central de Londrina, explica que, no caso de estudarem juntos, os irmãos podem dar apoio um ao outro e os pais também economizam no material escolar. Para as crianças, o fato de passarem mais tempo juntos na escola pode fazer com que fiquem mais ligados.
"Mas não é comum os irmãos se isolarem. Eles conversam, brincam, trocam ideias com outras crianças. Mas no aspecto emocional temos a prevalência do irmão que tem a personalidade mais forte ou a inteligência mais aguçada. Às vezes acontece a comparação, até pelos próprios colegas, mas pedagogicamente isso não é correto", alerta.
Lucy destaca que algumas vezes as crianças já vêm de casa com esse estigma, o que pode causar baixa autoestima e rixa entre irmãos. "As diferenças são importantes, cada um tem suas qualidades e alguns têm mais facilidade para algumas coisas do que para outras."
A psicóloga e pedagoga Patrícia Brinholi Lebois ressalta que é necessário maior cuidado com gêmeos, principalmente os idênticos. "Eles acabam se tornando uma pessoa só e na verdade é preciso que mantenham sua individualidade. Muitas mães vestem as crianças com roupas iguais, mas as próprias crianças, depois de mais velhas, querem roupas e cortes de cabelo diferentes, para se diferenciarem também", explica.
Patrícia destaca que para os pais é bastante prático ter os filhos no mesmo colégio e principalmente na mesma sala de aula, já que inclusive as reuniões de pais serão as mesmas. "Mas é preciso que o adulto tenha sensibilidade para perceber se para os filhos será bom estudarem juntos. Cada caso é um caso."
Outro cuidado, segundo ela, é com as comparações. "Algumas crianças não gostam de estudar juntas, principalmente se uma é melhor do que a outra e sofre essa comparação. Uma criança mais hábil em uma coisa pode não ser tanto em outra. Entretanto, gêmeos idênticos podem ter dificuldade com a separação", alerta.

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