Quando uma família cresce é sempre uma alegria para os pais, avós, vizinhos e outras pessoas que fazem parte do círculo social da família. Mas, muitas vezes, uma criança não tolera a ideia de ter a atenção dividida com um novo irmão. O foco da família, que até então era exclusividade dessa criança, acaba se voltando para o bebê. Lidar com isso é um desafio e que, se não for bem conduzido, a criança pode crescer com essa situação não resolvida.
Lucas Gonçalves Calabresi, sete anos, demonstrou alguns sinais de ciúmes quando sua mãe ficou grávida. Ele começou a participar de brincadeiras agressivas e apresentou maior ansiedade e, algumas vezes, angústia. O comportamento chamou a atenção da direção da escola onde estuda e a coordenadora resolveu chamar os pais para orientar sobre como agir.
Segundo Cláudio e Carla Calabresi, a orientação foi muito importante para saber lidar com a situação. ''Para nós ter o primeiro filho é mais difícil e o segundo é mais calmo; mas para o filho mais velho é diferente, pois ele acha que vai perder o lugar dele'', conta Cláudio.
Carla explica que o diagnóstico da escola foi importante para identificar o problema. ''Ele fica quase a metade do tempo aqui na escola e esse contato é muito importante'', afirma.
A coordenadora do Centro de Educação Infantil IPC, Nayara Alignani, explica que a diferença é visível no comportamento das crianças. '' Os filhos de pais que não receberam essa orientação muitas vezes ficam angustiados e não se abrem com os familiares, pois não veem como alguém próximo deles'', explica.
A psicóloga Maria Cristina Alves Penha, especializada em Psicoterapia Infantil, conta que nessa fase a criança se ressente da falta de atenção específica. ''Muitas vezes ela regride e, se for uma criança que já superou a fase de fazer suas necessidades na fralda, muitas vezes pode voltar a fazer isso novamente'', observa.
Maria Cristina diz que a criança pode ter pesadelos, morder ou selecionar o que come. Segundo ela, isso acontece porque no período de gravidez a criança não tem condições de entender tudo o que está acontecendo e o fato da barriga da mãe crescer provoca muitas fantasias na criança. Segundo ela, a criança acredita que se comer determinados alimentos ficará com a barriga igual da mãe.
A psicóloga conta que nessa fase é importante que se compre livros para contar histórias explicando a situação. ''A família deve contar histórias e os pais devem delimitar o lugar de cada um dos filhos com clareza e a mãe deve falar porque gosta da criança. Ela sente se os pais gostam dela ou não desde o primeiro momento, então o sentimento deve ser verdadeiro'', conta.

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