Dívidas trabalhistas podem comprometer funcionamento de hospital
Diretoria do Hospital Nossa Senhora da Saúde, de Santo Antônio da Platina, afirma que instituição corre risco de fechar
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de março de 2025
Diretoria do Hospital Nossa Senhora da Saúde, de Santo Antônio da Platina, afirma que instituição corre risco de fechar
Lucas Aleixo - Especial para a FOLHA 

Dívidas trabalhistas resultantes de uma série de processos movidos por ex e atuais funcionários podem comprometer as atividades do Hospital Nossa Senhora da Saúde (HNSS) localizado em Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro). Ao menos é o que alega a diretoria da entidade.
O problema é resultado de 91 ações trabalhistas, oriundas do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Londrina e Região (Sinsaúde), e que já transitaram em julgado, ou seja, sem possibilidade de novos recursos por parte do hospital,
A diretoria do HNSS, contudo, alega que havia um acordo trabalhista com os funcionários homologado junto ao sindicato da classe localizado em Cornélio Procópio.
A origem do desacordo, ainda segundo a direção do hospital, foi quando o sindicato de Cornélio Procópio passou a não ser mais autorizado pelos órgãos competentes a promover esse tipo de acordo. A escala 12x36, até então utilizada em comum acordo, passou a ser questionada pelo sindicato de Londrina, que ingressou na justiça cobrando horas extras aos trabalhadores.
"A gente precisa deixar claro que não havia dívidas. Tínhamos um acordo com os funcionários e tudo que estava acordado estava sendo pago. O problema foi essa questão do sindicato ter um entendimento diferente", explica o administrador do HNSS, Daniel Macedo.
"Para piorar, os processos são de 2017, portanto na gestão anterior do hospital. Quando nossa gestão assumiu, não foi informada desses processos. Já estávamos sendo executados. Tentamos conversar com o sindicato, mas eles têm uma posição irredutível", continua.
No começo de fevereiro a entidade teve um bloqueio judicial de valores, já resultado das execuções judiciais. Segundo Macedo, hoje a dívida está na casa dos R$ 13 milhões. "Conseguimos contornar esse bloqueio, mas a situação é desesperadora. Não temos superávit, não temos de onde ter recursos para pagar uma dívida desse montante. Emendas parlamentares, por exemplo, têm destinação específica e não podem ser aplicadas no pagamento de salários. Então estamos ficando literalmente em um beco sem saída", lamenta.
Com 103 leitos ativos e mais de 150 funcionários, o HNSS é a principal entidade de saúde pública e privada de Santo Antônio da Platina, abrigando o pronto socorro municipal e concentrando boa parte dos atendimentos médicos a moradores do município.
Enquanto um pode fechar, outro deve 'reabrir'
Expectativa oposta vive a população de Wenceslau Braz, também no Norte Pioneiro, onde o centro cirúrgico do Hospital São Sebastião tem data para início do funcionamento agendado para o dia 1° de abril - embora as obras de construção do espaço tenham sido finalizadas há cinco anos.

Pacientes locais convivem com uma rotina de viagens para a realização de todo e qualquer procedimento cirúrgico, inclusive partos, por falta de uma estrutura adequada no município.
Isso acontece desde 2013, quando o antigo centro cirúrgico do Hospital São Sebastião, que é o único da cidade, foi demolido após ser interditado pela vigilância sanitária por falta de condições adequadas de operação.
Em 2018 um novo centro cirúrgico começou a ser construído, sendo concluído quase dois anos depois. Porém, mesmo devidamente equipado, o espaço não era utilizado sob argumento de falta de recursos para manter uma equipe médica.
Agora, com a reinauguração, a promessa é de que partos via SUS ou particulares sejam realizados, além de outros procedimentos cirúrgicos de pequena complexidade.


