Atolado em dívidas de ações trabalhistas que ultrapassam R$ 200 mil, o Centro Ocupacional de Londrina (COL), na Zona Sul, está tendo sérias dificuldades para manter o atendimento a 133 jovens e adultos portadores de necessidades especiais. Parte do problema ainda é reflexo da intervenção determinada pelo Poder Judiciário em maio do ano passado, quando a diretoria da instituição foi afastada.
Na época, cinco funcionárias foram afastadas por denúncias de maus tratos, gerando polêmica entre os familiares das pessoas atendidas. Uma comissão interventora foi nomeada pela Vara de Infância e Juventude, para administrar o COL e investigar os problemas. Segundo a assessoria do juiz Tiago de Oliveira Gerardi, o processo é demorado e ainda está na fase de produção de provas. Além do desgaste causado pelos conflitos, o afastamento gerou problemas financeiros à instituição, que se somaram a antigas dívidas trabalhistas. Contra a diretoria afastada do COL também existe uma investigação na Auditoria do Município que apura suspeitas de desvio de dinheiro público.
De acordo com a presidente interventora do COL, Welli Terezinha Abramovicht, as verbas recebidas pela instituição filantrópica sofrem bloqueios mensais por conta de ações movidas por duas ex-funcionárias, demitidas entre 2000 e 2001. Elas tiveram ganho de causa e, desde o final do ano passado, parte do dinheiro público repassado à instituição fica retido na conta. A verba do Estado sofre bloqueio de 20%, enquanto a do Município tem 30% retidos. Só no mês passado, dos R$ 26,9 mil enviados pelo governo, R$ 5,3 mil não puderam ser utilizados. A prefeitura repassou R$ 4,7 mil, dos quais R$ 1,4 foram bloqueados. No total, as dívidas chegam a R$ 180 mil.
''Estamos com dificuldades para comprar material pedagógico, alimentos, pagar contas de luz, água, telefone. Até uma piscina que nos foi doada no ano passado está sem uso por falta de dinheiro para manutenção'', aponta a diretora do COL, Ângela Denise Cavalheiro. As despesas mensais do COL giram em torno de R$ 35 mil.
As pendências trabalhistas se agravaram com o afastamento das funcionárias. Elas requereram na Justiça o direito de continuar recebendo os salários enquanto o processo contra os afastados é julgado. A instituição conseguiu fechar acordo com duas delas, para pagar indenizações com valores de R$ 10 mil e R$ 4,5 mil. Esses pagamentos, diz Welli, deverão ser concluídos no início de 2005.
Outra ex-diretora não aceitou acordo com o COL e conseguiu, recentemente, bloquear a conta da instituição até que a ação fosse julgada. A medida provocou atraso nos salários dos 30 atuais funcionários, que variam entre R$ 260 e R$ 1,2 mil. O COL recorreu e, somente nessa semana, pôde recuperar a conta.
''Já corremos o risco de fechar a instituição por causa dessas dificuldades, mas fizemos esforços porque trata-se da única que atende adultos com necessidades especiais no Paraná. Nosso intuito é fazer acordo com todos, zerar as dívidas e entregar o trabalho para a Vara de Infância e Juventude, em no máximo um ano'', afirma. A instituição atende um público de 15 a 62 anos, com projetos pedagógicos e atividades como esportes e artesanato.
Enquanto a situação não é resolvida, o COL conta com a colaboração de empresários e pessoas da comunidade. ''Estamos em busca de sócios-colaboradores, e qualquer um pode ajudar. Quem quiser pode vir ao COL para conhecer nosso trabalho'', diz. A instituição fica na Rua das Açucenas, nº 100. O telefone é 3348-0855.

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