Sem os recursos do Paraná Urbano, será quase impossível administrar um município do Estado a partir de janeiro de 97. Esta é a opinião unânime dos 28 prefeitos eleitos, na reunião com a diretoria da Sedu, ontem. Nenhum deles vai assumir a administração de seus respectivos municípios com dívidas inferiores a R$ 200 mil.
José Otávio Regieri (PDT), prefeito eleito de Nossa Senhora das Graças (85 quilômetros ao norte de Maringá), com 3.500 habitantes, não sabe ainda o total da dívida da prefeitura nem como pagá-la. Sabe apenas que supera os R$ 200 mil. ‘‘Sei apenas que vou ter que arrumar R$ 272 mil para asfaltar 10,4 quilômetros de estrada entre Mendeslândia e Bentópolis, nosso distrito. É promessa de campanha’’, diz Regieri.
Sérgio Pereira de Souza (PTB), atual prefeito de Itaguajé (5.800 habitantes), perto de Nossa Senhora das Graças, acredita que a próxima administração, apesar de uma dívida superior a R$ 200 mil, pode ‘‘acertar o passo’’.
Souza deixa um saldo credor em ações do Imposto Sobre Serviços (ISS) de R$ 300 mil, referentes à usina de Taquaruçu. ‘‘Sem isso, seria insuportável administrar a cidade.’’ Ele diz que a arrecadação de IPTU, ISS, ICMS e FPM é pequena.
Antônio Henrique Vernillo (PSDB), de Floraí (44 quilômetros de Maringá), é outro prefeito que vai assumir o cargo em janeiro sem saber o valor total da dívida. ‘‘A coisa está tão feia que o atual prefeito pagou o salário dos funcionários de agosto e setembro deste ano com recursos do Fundo Previdenciário, o que é proibido por lei’’, diz ele.(M.W.V.)

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