Emerson Cervi
De Curitiba
Sucessivos déficits orçamentários, diferença entre o que é gasto e efetivamente arrecadado todos os anos, é um dos principais responsáveis pelo crescimento da crise financeira do governo do Paraná. Nos últimos dois meses generalizaram as reclamações por atrasos nos pagamentos de dívidas estaduais. De pequenos fornecedores de material para uso contínuo a grandes prestadores de serviços, poucos recebem em dia. De empreiteiros responsáveis por obras do Programa de Expansão, Melhoria e Inovação do Ensino Médio (Proem) ao fornecedor de carne do Hospital Adalto Botelho estão suspendendo os serviços por falta de pagamento.
No orçamento realizado de 1998, apenas 6,09% dos R$ 3,8 bilhões arrecadados foram destinados ao custeio e novos investimentos. Do restante, 83,4% foi para pagamento de funcionários ativos e inativos e 10,6% para encargos da dívida, segundo dados fornecidos ao Tribunal de Contas. A distribuição do orçamento deste ano é aproximadamente a mesma de 1998. Apesar dos baixos investimentos, o déficit estadual continuou crescendo. Em 1998 ele chegou a R$ 2,4 bilhões.
Em 1997 o déficit estadual apresentado ao Tribunal de Contas foi de R$ 790 milhões. Em 1996 era de R$ 254 milhões e em 1995 de R$ 30 milhões. Quanto maior o déficit orçamentário, menor é a capacidade própria de envididamento e para financiamentos externos.
A Secretaria de Estado dos Transportes é uma das principais vítimas da falta de recursos. O governo é responsável pela manutenção de 10.200 quilômetros de rodovias estaduais pavimentadas e 2.055 quilômetros não pavimentadas. O custo anual para conservação de cada quilômetro pavimentado é de R$ 2 mil. O quilômetro não pavimentado fica em R$ 1,8 mil. Apesar do orçamento deste ano prever R$ 25 milhões para manutenção rotineira, os transportadores reclamam da má conservação das estradas estaduais. ‘‘Só existem obras onde foi privatizado e os usuários é que pagam por elas, as estradas estaduais estão piorando cada vez mais’’, reclamou o presidente do Sindicato dos Transportadores de Cargas Autônomos do Paraná, Diumar Rodrigues.
Segundo o diretor de Conservação do Departamento de Estradas de Rodagens (DER) do Paraná, Wilson Domingos Celli, o governo tem um plano plurianual para fazer a restauração de 1 mil quilômetros de rodovias estaduais que encontram-se em estado deplorável. ‘‘Ainda não há previsão do início das obras porque estamos tentando fazer empréstimos internacionais de parte dos recursos.’’ Ao todo, a restauração custaria R$ 156 milhões. Serão necessários dois anos para concluir o trabalho.
A Secretaria de Estado de Obras Públicas também sofre com a crise financeira. Falta pagar R$ 260 mil de R$ 2,5 milhões em reformas e construções de delegacias contratadas no ano passado.

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