Dívida trabalhista leva cemitério a leilão
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quinta-feira, 15 de junho de 2000
Osmani Costa De Londrina 
O Cemitério Parque das Oliveiras com área total de 24 mil metros quadrados, 1.485 jazigos de três gavetas e 1.485 terrenos ainda não ocupados , imóvel localizado no Bairro Aeroporto (zona leste de Londrina) e avaliado em R$ 2.516.170,00, vai a leilão no dia 21 de julho, por determinação da juíza da 1ª Vara da Justiça do Trabalho, Dinaura Gordinho Pimentel Gomes.
O dinheiro resultante da venda será utilizado pela Justiça para o pagamento de uma ação trabalhista coletiva que beneficia cerca de 900 pessoas, com valor aproximado de R$ 1.700.000,00.
O edital do leilão foi publicado pelo Poder Judiciário na edição de ontem da Folha. O cemitério pertence à Sociedade Evangélica Beneficente de Londrina (SEBL), também proprietária do Hospital Evangélico (HE), que é a reclamada na ação trabalhista que teve início em 1991.
A ação coletiva foi impetrada pelo Sindicado dos Empregados em Estabelecimento de Serviços de Saúde (Sinsaúde) de Londrina. A reivindicação inicial foi para a reposição salarial relativa à Unidade de Referências de Preços (URP), de 26,06%, não paga em 1989. A URP foi um dos índices que mediram a inflação durante o governo de José Sarney (1985-89).
A ação trabalhista já transitou em todas as instâncias e não cabe mais recurso da sentença que condenou a SEBL ao pagamento daquela reposição aos funcionários que trabalhavam no hospital naquela época.
Segundo avaliação do advogado Wilson Maria Sella, que representa o Sinsaúde, cerca de 80% das pessoas beneficiadas pela ação continuam trabalhando no HE.
É uma situação inusitada e constrangedora, esta que estamos vivendo com a ida de um cemitério a leilão. Mas só chegamos a este ridículo porque a direção da Sociedade Evangélica tem se mostrado insensível e fechada a todas as nossas tentativas de negociação, que foram no sentido de facilitar a forma de pagamento do que ela deve aos funcionários, comentou Sella.
O valor total da ação foi reajustado pela inflação dos últimos dez anos. Cada funcionário receberá proporcionalmente ao salário que tinha na época em que a URP não foi paga ao pessoal do HE.
Na opinião de Sella, ainda há tempo para se evitar o leilão do cemitério. Estamos num impasse indesejável e constrangedor. Na Justiça, não dá para fazer mais nada. As duas partes o sindicato e a Sociedade Evangélica têm que sentar, negociar e chegar a um acordo. Isto é possível, se houver o efetivo interesse por parte do empregador, avaliou o advogado do Sinsaúde.
Caso não haja um acordo e não apareça comprador interessado no cemitério durante o leilão, a situação pode ter consequências ainda piores, segundo Wilson Sella. Não nos sobraria outra alternativa a não ser pedir a penhora dos recursos financeiros que o Hospital Evangélico movimenta. Isto poderia levar à paralisação da unidade de saúde, porque haveria uma intervenção em todas as contas bancárias da Sociedade Evangélica. E a direção ficaria sem dinheiro para pagar os fornecedores de medicamentos, equipamentos e produtos; os prestadores de serviços, e seu quadro de funcionários, explicou o advogado, ressaltando que isto poderia levar a uma situação de caos que não interessa ao Sinsaúde, à Sociedade Evangélica e nem à população atendida pelo Hospital Evangélico.
A direção da Sociedade Evangélica não quis conceder entrevista para comentar o assunto. Apenas informou, através da assessoria de imprensa, que procurará o Sinsaúde e Sella para o reinício das negociações que evitem o leilão do Cemitério Parque das Oliveiras.


