Dívida teria motivado crime contra vendedor
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de abril de 1997
Paulo Ubiratan 
O mecânico Antônio Marcos da Silva, 22 anos, conhecido por Marquinho, disse ontem à polícia que matou o vendedor Noedi Cleomar Casagrande, 28 anos, com o mesmo revólver, calibre 38, que havia negociado com ele na venda de uma motocicleta. Marquinho confessou o crime ontem pela manhã, quando se apresentou ao delegado do 3º Distrito Policial, Joaquim Antônio de Mello, para prestar depoimento. O mecânico disse que não suportava mais ser cobrado e ameaçado por Noedi, em função de uma dívida de R$ 300,00, referente ao IPVA atrasado da motocicleta CG-125 que havia vendido. Seis tiros acertaram Noedi.
Marquinho praticou o crime a 50 metros da casa onde mora, no jardim Nova Olinda (zona oeste). Ele afirmou que a vítima foi até sua residência para mais uma vez cobrar a dívida e ameaçou agredi-lo. Ele deu de dedo na minha cara. Vendo que Noedi estava muito agressivo, Marquinho conta que saiu correndo para o interior da casa, pegou o revólver que estava no armário do quarto e voltou à rua atirando contra o vendedor. Ele disse que não lembra quantos tiros disparou, pois estaria completamente fora de si.
No depoimento, o mecânico disse que conhecia Noedi há menos de um ano e neste tempo vendeu-lhe a CG-125, por R$ 735,00. Na ocasião do negócio, a vítima pagou R$ 600 em dinheiro e deu-lhe o revólver 38, carregado com seis cápsulas no valor de R$ 35,00. O motivo da briga entre os dois foi a apreensão da motocicleta pela Polícia Militar, por causa da falta de pagamento do IPVA de 1992 a 96. Marquinho disse que prometeu pagar a dívida até 10 de abril e que chegou a ir a Goioerê, para vender um terreno da família e conseguir os R$ 300,00. Ele não conseguiu fazer a venda e Noeli teria aumentado as pressões. A vítima teria ido até o emprego de Marquinho a dado-lhe um tapa no rosto.
O corpo de Noedi, após ser necropsiado no Instituto Médico Legal (IML) foi levado pela família e sepultado no Rio Grande do Sul. Marquinho responderá pelo crime em liberdade.


