Ney de SouzaInterrupçãoObra parada de viaduto no acesso ao bairro de Três Lagoas. Atraso acontece desde dezembro e dívida acumulada se aproxima de R$ 430 milA Construtora Ivaí, responsável pela duplicação de um trecho de 22,6 quilômetros da BR-277, entre Foz do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu, paralisou as obras, alegando falta de repasse de verbas pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). Procurado ontem pela Folha, o diretor da empreiteira, sediada em Foz do Iguaçu, José Waydizick, se recusou a comentar o assunto. ‘‘Não tenho nada para dizer no momento’’, declarou, por telefone.
Segundo a Folha apurou, desde dezembro o DNER vem atrasando os pagamentos à empreiteira. O valor total da dívida se aproxima de R$ 430 mil. Em meados de maio, a empresa demitiu 150 funcionários e manteve apenas 40 homens trabalhando na construção de um viaduto na rodovia, no acesso ao bairro Três Lagoas, em Foz do Iguaçu. No final da semana passada, até mesmo essa obra foi suspensa pela construtora.
O chefe do setor de construções do DNER em Curitiba, Edson Chagas, confirmou que a duplicação foi interrompida pela construtora devido à falta de pagamento. ‘‘Sempre acontece nesta época do ano, quando ocorre atraso no repasse de verbas do Orçamento da União para o Ministério dos Transportes, ao qual o DNER é subordinado’’.
Segundo Chagas, a suspensão no pagamento à construtora é um ‘‘problema momentâneo’’ e não há a possibilidade de as obras serem interrompidas definitivamente. Ele previu que, até julho ou agosto, os repasses estarão normalizados e a duplicação deverá ser retomada.
A BR-277 é a única ligação rodoviária de Foz do Iguaçu com as demais regiões do País. No trecho entre a fronteira com o Paraguai e Santa Terezinha de Itaipu, o movimento diário é de 6.500 veículos, segundo levantamento da Polícia Rodoviária Federal.
A duplicação desse trecho foi iniciada em 1993 e só foi retomada no ano passado. Dos 22,6 quilômetros de duplicação prevista, até agora foram entregues apenas 7,8 quilômetros. A previsão do DNER era concluir as obras até fevereiro do próximo ano.
A nova paralisação causa transtornos aos motoristas e torna a BR-277 ainda mais perigosa. Um dos trechos mais complicados fica no entroncamento da rodovia com a Avenida Costa e Silva, na entrada de Foz do Iguaçu. Nesse local estava sendo construído um trevo com passagens em dois níveis. Há valetas abertas e tubulações esparramadas ao longo da pista, que sofreu um estreitamento devido às obras.

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