A dívida total do Hospital de Clínicas de Curitiba é de E$ 41 milhões - quase sete vezes maior do que o repasse do SUS que até agora o Governo Federal não liberou. Ontem pela manhã, o setor de Pronto Atendimento (PA) do Hospital de Clínicas registrou pouco mais de 10% do seu fluxo normal de pacientes. Segundo o diretor de serviços médicos do HC, Ângelo Tesser, durante as dez primeiras horas do dia o serviço emergencial atendeu a 45 casos, quando a média é de 400. No mesmo período houve sete internamentos, sendo cinco na maternidade.
O médico explicou que a divulgação da grave situação do hospital contribuiu para a diminuição na procura. ‘‘A vinda de ambulâncias e pacientes encaminhados por outros municípios e até de outros estados também caiu muito’’, acrescentou.
A necessidade de reduzir os atendimentos é resultado da deficiência de medicamentos e alimentos no hospital. O HC deve quase R$ 7 milhões aos fornecedores, que cancelaram as entregas destes materiais. ‘‘Esta é a dívida que mais nos preocupa’’, afirmou o diretor.
Além deste valor, o hospital deve quase R$ 19 milhões ao INSS, mais de R$ 12 milhões à UFPR e R$ 3 milhões à Copel. Tesser explicou que em 1.994 o total da dívida não ultrapassava R$ 8 milhões. ‘‘As defasagens constantes no pagamento do SUS nos levaram a esta situação.’’
Segundo o diretor clínico do hospital, Carlos Moreira, a realidade é a mesma na maioria dos hospitais universitários do Brasil. ‘‘Se pudéssemos receber o pagamento de 15% dos nossos pacientes que são credenciados a algum plano de saúde aumentaríamos nosso faturamento em R$ 400 mil por mês.’’ Ele acredita que esta seria uma das soluções para salvar o HC, que depende unicamente dos pagamentos feito através do SUS.

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