As 340 famílias que moram no conjunto Residencial Santos Dumont, no Conjunto Ernani Moura Lima (zona leste), de Londrina, enfrentaram ontem mais um dia sem água. A Sanepar cortou o abastecimento de água do residencial na sexta-feira devido ao atraso de três meses no pagamento.
‘‘Não sabemos o que fazer porque não temos dinheiro. A maioria dos moradores não está pagando o condomínio’’, lamentou a síndica do condomínio, Vera Hoppel. Segundo ela, o valor do condomínio é de R$ 50,00 e 68% dos condôminos estão inadimplentes.
O chefe do setor de arrecadação da Sanepar, Alceu Pívaro, explicou que após 60 dias de atraso o corte é automático. ‘‘Se a pessoa ou condomínio espera o corte ser efetuado para procurar a Sanepar é impossível reverter a situação. Mas a Sanepar continua aberta a negociações com o condomínio’’, garantiu.
Ele esclarece que a Sanepar negocia prazos e refinanciamento da dívida em casos como estes. No mês passado, diz, o condomínio conseguiu prazo maior para efetuar o pagamento de uma das prestações atrasadas.
Pívaro ressalta, no entanto, que a situação do condomínio é ‘‘crítica’’ e vem se arrastando desde o ano passado. A dívida de 1997, segundo ele, foi renegociada em dezembro e parcelada em 10 vezes de R$ 1.372,75. Somando as parcelas atrasadas e as que estão por vencer, com as contas não pagas deste ano, o condomínio Santos Dumont, segundo Pívaro, acumula uma dívida de R$ 34.500,00. Ele esclarece que, além da água, as faturas cobram coleta e tratamento de esgoto.
‘‘ O consumo no residencial é normal. O problema deles é interno. Não tem como a Sanepar interferir’’, alega Pívaro. Ele informa que o índice de inadimplência dos usuários da Sanepar em Londrina é de cerca 7% - o caso do condomínio do residencial Santos Dumont, diz, é o único da cidade.
A síndica Vera Hoppel confirma a dificuldade em administrar o condomínio. ‘‘As pessoas não pagam, e quem está em dia está sofrendo as consequências’’, diz. Muitos moradores, complementa, não estão pagando o condomínio há mais de 10 meses. As contas de luz e os salários dos funcionários, segundo ela, estão em dia, mas a arrecadação não é suficiente para pagar a Sanepar. A conta da Sanepar do condomínio é de cerca de R$ 8 mil por mês.
No residencial, ninguém quis falar sobre o assunto. Mas há cartazes na portaria, questionando os moradores que estão em dívida com o condomínio. ‘‘Se quem não paga pode entrar e sair, porque vai pagar?’’, indaga um dos cartazes. ‘‘Entrar na justiça contra os que estão devendo, nem sempre é viável’’, explica a síndica. Ela diz que, em muitos casos, as custas processuais são mais altas que a dívida.
Renegociar a dívida com a Sanepar também é um problema para o condomínio. ‘‘Poucas pessoas procuraram o condomínio para pagar os atrasados. Não temos caixa para isto. Ainda não sabemos o que fazer para resolver o problema’’, afirmou. Enquanto isto, os moradores continuam buscando água no córrego Barreiro, que fica próximo ao residencial, ou contar com a ajuda dos vizinhos.Dorico da SilvaSaídaMoradores estão buscando água no Córrego Barreiro, próximo ao residencialCélia Baroni

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