Paulo WolfgangPreocupaçãoAndré de Souza: ‘Índice de inadimplência chega a ser de 100% em determinados conjuntos’ Além dos 30% de redução no saldo devedor - garantida pela medida provisória 1.520/12, que foi editada no último mês de outubro - alguns mutuários da Cohab poderão ter a sua dívida reduzida em no mínimo mais 10% por conta de uma negociação que a Cohab está fazendo com o Sistema Financeiro de Habitação, que é administrado pela Caixa Econômica Federal (CEF).
No próximo dia 16, o Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) discute a possibilidade de diminuir a taxa de juros incidente sobre os contratos da Cohab. Se for aprovado, o benefício contemplará apenas os mutuários com imóveis em conjuntos habitacionais construídos entre 1990 e 1991, com recursos do Programa de Ação Imediata em Habitação (Paih) e Programa de Habitação Popular (Prohap). Esses conjuntos, considerados ‘‘problemas’’, têm altos índices de inadimplência pela defasagem entre o saldo devedor e o preço de mercado do imóvel (o saldo devedor é maior que a avaliação de mercado).
Em Londrina, são oito conjuntos: Santiago 2, Farid Libos, Alexandre Urbanas, Giovani Lunardelli, Jesualdo Garcia Pessoa, Jamile Dequech e Ilda Mandarino 1 e 2. Existem outros 33 conjuntos-problema em cidades da região como Arapongas, Jacarezinho, Cambé e Santa Mariana. ‘‘Todos estes conjuntos têm índices de inadimplência maiores que 70%. Em alguns, chega a 100%’’, diz André Luís de Souza, membro da diretoria técnica do Conselho Curador do FGTS, que esteve ontem em Londrina a convite da Cohab. Segundo Souza, um índice tolerável de inadimplência seria de até 5%.
O objetivo da negociação entre a Cohab e o FGTS é fazer com que a Companhia de Londrina volte a ser adimplente. Hoje, o passivo da Cohab junto ao SFH é de R$ 27 milhões. A dívida global, que é a soma do débito a vencer e o vencido, é de R$ 250 milhões, sendo que a Companhia tem 25 anos para quitá-la.
Dos 30 mil mutuários da Cohab, dez mil estão inadimplentes. A dívida dos compradores junto à Companhia chega a R$ 23 milhões, segundo o diretor financeiro, Paulo Franzon. Cerca de 23 mil famílias aguardam a liberação de novas moradias.
‘‘Queremos que o FGTS volte a nos financiar. Mas, para isto, precisamos estar adimplentes’’, diz o presidente da Companhia de Habitação de Londrina, Wilson Mandelli. Caso a Cohab consiga uma correção menor e, consequentemente, uma diminuição de seu débito junto à CEF, Mandelli diz que o benefício será repassado aos mutuários destes conjuntos habitacionais.
A Companhia negocia a redução das taxas de juros dos contratos, que hoje variam de 3,8% a 5,8% ao ano, para 3%. O superintendente de Negócios da Caixa em Londrina, Claudemir Desto calcula que, em contratos de 20 anos com taxa de juros de 3,8% ao ano, o saldo devedor pode diminuir 10% se for obtida a redução da taxa para 3%.
Mesmo que a negociação com o Sistema Financeiro não dê resultados positivos, os mutuários dos conjuntos construídos com os recursos do Paih e do Prohap devem ser chamados pela Cohab para renegociar suas dívidas dentro de 90 dias por causa da medida provisória 1.520/12. Segundo Mandelli, 10,3 mil contratos serão beneficiados em Londrina.
A medida provisória determina que o Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS), que paga os resíduos no finais dos contratos, banque 30% do valor do saldo devedor para os casos de conjuntos construídos pelo Paih e Prohap. André Luís de Souza diz que é melhor o FGTS perder uma parte da taxa de juros contratada do que colocar todo o capital emprestado em risco, no caso de quebra dos agentes. Segundo ele, todas as 46 Cohabs do Brasil estão em situação financeira crítica.

mockup