Dorico da SilvaCena de cinemaPoliciais militares levam Sebastião Batista de Souza para o 3º Distrito Policial: agricultor teria vendido bens de acordo judicialA prisão de um agricultor, ontem pela manhã, na vila Recreio (área central de Londrina), acabou causando muita confusão na vizinhança. Quatro viaturas da Polícia Militar - com soldados usando até colete à prova de bala - foram enviadas à rua Caetano Munhoz da Rocha, onde o agricultor mora. Sebastião Batista de Souza foi preso por não ter saldado uma dívida de 1993, junto a uma empresa que vende e conserta caminhões.
O oficial de justiça José Abrahão chegou à casa de Sebastião por volta das seis horas. Como o agricultor não quis sair de casa para atendê-lo, Abrahão acionou a Polícia Militar para ajudá-lo a cumprir o mandado de prisão.
O oficial explica que a prisão foi decretada porque Sebastião se tornou um ‘‘depositário infiel’’ e praticou ‘‘ato atentatório à dignidade da Justiça ao desobedecer a entrega dos bens’’.
José Abrahão explica que o agricultor tinha uma dívida, não pagou e, através de um acordo judicial, deu como garantia de saldar o débito um caminhão e um cavalo da raça Apallosa. Só que o caminhão e o cavalo foram vendidos. A pena, no caso de depositário infiel, varia de 30 dias a um ano de prisão.
O juiz substituto da 2ª Vara Cível, Alberto Júnior Velozo, decretou 60 dias de prisão para Sebastião de Souza. O oficial de justiça lembra que o agricultor foi intimado várias vezes para entregar o caminhão e o cavalo, mas não atendeu a nenhum dos pedidos.
O advogado Reginaldo Monticelli, que representa o agricultor, conta que Sebastião Batista de Souza trabalha como administrador em uma fazenda do distrito de São Luiz (zona zul). Ele explica que a dívida está em torno de R$ 20 mil e foi contraída para pagar o conserto do caminhão ano 74 - o mesmo veículo dado depois como garantia do pagamento.
Segundo Monticelli, seu cliente garante que já pagou a dívida e que a realização do acordo foi mau conselho do advogado que o representava anteriormente. Ele lembra que, logo depois de fechado o acordo, a empresa ficou de buscar o caminhão e o cavalo. Como não fizeram, Sebastião acabou vendendo-os porque atravessava dificuldades financeiras.
Sebastião Batista de Souza foi levado para o 3º Distrito Policial, no jardim Bandeirantes (zona oeste). O advogado ia requerer ao juiz a transferência do agricultor para o distrito de São Luiz e também entraria com pedido de habeas corpus para liberá-lo da prisão.

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