Imagem ilustrativa da imagem DIVERSÃO E HUMANIZAÇÃO - Projeto contabiliza 470 mil atendimentos
| Foto: Gina Mardones
Dr. Lambreta e Dra. Frida se preparam para a visita no Hospital Infantil



Nem sempre os palhaços do Plantão Sorriso, de Londrina, são recebidos com sorrisos nos hospitais onde eles realizam as visitas. "Tem criança que chora, não quer que a gente entre no quarto. Mas percebemos que esse choro não é de medo do palhaço e sim do jaleco branco", comentou Emília Miyazaki, presidente do Plantão Sorriso e pioneira no projeto.
A criança associa o jaleco branco com os procedimentos, muitas vezes dolorosos, que ela passa no hospital. "O Plantão Sorriso consegue desmistificar para ela essa relação ruim e com uma abordagem via os pais conseguimos chegar na criança", explica Emília.
É nessa hora que entra todo o talento de improviso dos atores. Durante uma visita ao Hospital Infantil a pequena Isadora, de um ano, não gostou muito da cantoria dos Dr. Lambreta Mo Marcha Lenta e Dra. Frida, especialista em chilicologia, e começou a chorar. Mas a companheira de quarto, Lívia Cruz dos Santos, de cinco anos, aprovou as brincadeiras dos doutores. "Gostei muito. Eles são muito legais", disse a menina. Ela foi internada nesta segunda-feira (15) para uma cirurgia de amídala e nariz e já estava quase indo embora quando eles chegaram. "Acho muito legal o trabalho deles. A criança está aqui entediada, querendo ir embora e a vinda deles é uma surpresa, contou Evelin Correia Cruz, de 20 anos, que passou por um procedimento com a Dra. Frida para retirada de caraminholas da cabeça, tudo devidamente autorizado pela filha.
A enfermeira Rafaeli Carolina Negrão já conhecia o trabalho do Plantão Sorriso do Hospital do Câncer, mas foi a primeira vez que acompanhou a visita como mãe. "Você fica aqui na pressão, com o filho querendo ir embora, sentido dor, sendo picado e a visita deles ajuda a dar uma relaxada na gente também. Até passou minha dor de cabeça", disse.
A filha Isadora, de cinco anos, estava internada há dois dias e recebeu alta nesta segunda-feira. A menina contou que gostou mais da visita dos médicos palhaços do que dos tradicionais. "Eu quero que eles voltem", disse. Rafaeli ressaltou que a interação com as crianças "faz toda diferença no tratamento."

METODOLOGIA
No início do projeto, os atores seguiam a metodologia dos Doutores da Criança, mas ao longo deste 20 anos o projeto foi sendo adaptado e foi criada uma metodologia própria de atuação. Os profissionais contam com apoio de uma psicóloga e ensaiam semanalmente. "Para o ator é um desafio muito grande. Diferente do teatro, ele não tem o aplauso no final do espetáculo e o resultado vai depender da abertura da criança." Eles também seguem um protocolo de visita e cuidados com a higienização.
Em 20 anos de atuação, o Plantão Sorriso já teve muitos doutores. Mas o tempo de permanência no projeto costuma se longo. "Temos palhaços com seis, sete anos de projeto. É um trabalho profissional e de comprometimento com a causa", afirmou.
As crianças sabem os dias que o palhaço fará sua visita e ficam esperando. "Tem criança que recebe alta de manhã, mas pede para ficar até a tarde porque tem visita do palhaço", revelou. Segundo Emília, há relatos de crianças que responderam ao tratamento após as visitas e de diminuição do tempo de internação.

WORKSHOP
Em duas décadas de atuação, o Plantão Sorriso, uma associação sem fins lucrativos, patrocinada por empresas, por meio da Lei Rouanet, e pelo Programa Municipal de Incentivo a Cultura (Promic), já contabiliza 470 mil atendimentos.
O trabalho vem despertando o interesse dos gestores hospitalares, tanto que a associação, em parceria com a Unimed Londrina, está realizando um workshop sobre humanização com os profissionais do Hospital Evangélico e Santa Casa.
"O curso usa a nossa experiência como palhaços de hospital para despertar um novo olhar junto aos profissionais de saúde. Vivenciar e refletir sobre a humanização, sob a ótica do palhaço", explicou Gerson Bernardes, o Dr. Lambreta.
No workshop são utilizadas as dinâmicas usadas pelos palhaços para abordarem cinco tópicos: auto cuidado, confiança entre equipe e com paciente, empatia, comunicação verbal e corporal e não automatização do atendimento.

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