DIVERSÃO E HUMANIZAÇÃO - Projeto contabiliza 470 mil atendimentos
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segunda-feira, 15 de agosto de 2016
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 

Nem sempre os palhaços do Plantão Sorriso, de Londrina, são recebidos com sorrisos nos hospitais onde eles realizam as visitas. "Tem criança que chora, não quer que a gente entre no quarto. Mas percebemos que esse choro não é de medo do palhaço e sim do jaleco branco", comentou Emília Miyazaki, presidente do Plantão Sorriso e pioneira no projeto.
A criança associa o jaleco branco com os procedimentos, muitas vezes dolorosos, que ela passa no hospital. "O Plantão Sorriso consegue desmistificar para ela essa relação ruim e com uma abordagem via os pais conseguimos chegar na criança", explica Emília.
É nessa hora que entra todo o talento de improviso dos atores. Durante uma visita ao Hospital Infantil a pequena Isadora, de um ano, não gostou muito da cantoria dos Dr. Lambreta Mo Marcha Lenta e Dra. Frida, especialista em chilicologia, e começou a chorar. Mas a companheira de quarto, Lívia Cruz dos Santos, de cinco anos, aprovou as brincadeiras dos doutores. "Gostei muito. Eles são muito legais", disse a menina. Ela foi internada nesta segunda-feira (15) para uma cirurgia de amídala e nariz e já estava quase indo embora quando eles chegaram. "Acho muito legal o trabalho deles. A criança está aqui entediada, querendo ir embora e a vinda deles é uma surpresa, contou Evelin Correia Cruz, de 20 anos, que passou por um procedimento com a Dra. Frida para retirada de caraminholas da cabeça, tudo devidamente autorizado pela filha.
A enfermeira Rafaeli Carolina Negrão já conhecia o trabalho do Plantão Sorriso do Hospital do Câncer, mas foi a primeira vez que acompanhou a visita como mãe. "Você fica aqui na pressão, com o filho querendo ir embora, sentido dor, sendo picado e a visita deles ajuda a dar uma relaxada na gente também. Até passou minha dor de cabeça", disse.
A filha Isadora, de cinco anos, estava internada há dois dias e recebeu alta nesta segunda-feira. A menina contou que gostou mais da visita dos médicos palhaços do que dos tradicionais. "Eu quero que eles voltem", disse. Rafaeli ressaltou que a interação com as crianças "faz toda diferença no tratamento."
METODOLOGIA
No início do projeto, os atores seguiam a metodologia dos Doutores da Criança, mas ao longo deste 20 anos o projeto foi sendo adaptado e foi criada uma metodologia própria de atuação. Os profissionais contam com apoio de uma psicóloga e ensaiam semanalmente. "Para o ator é um desafio muito grande. Diferente do teatro, ele não tem o aplauso no final do espetáculo e o resultado vai depender da abertura da criança." Eles também seguem um protocolo de visita e cuidados com a higienização.
Em 20 anos de atuação, o Plantão Sorriso já teve muitos doutores. Mas o tempo de permanência no projeto costuma se longo. "Temos palhaços com seis, sete anos de projeto. É um trabalho profissional e de comprometimento com a causa", afirmou.
As crianças sabem os dias que o palhaço fará sua visita e ficam esperando. "Tem criança que recebe alta de manhã, mas pede para ficar até a tarde porque tem visita do palhaço", revelou. Segundo Emília, há relatos de crianças que responderam ao tratamento após as visitas e de diminuição do tempo de internação.
WORKSHOP
Em duas décadas de atuação, o Plantão Sorriso, uma associação sem fins lucrativos, patrocinada por empresas, por meio da Lei Rouanet, e pelo Programa Municipal de Incentivo a Cultura (Promic), já contabiliza 470 mil atendimentos.
O trabalho vem despertando o interesse dos gestores hospitalares, tanto que a associação, em parceria com a Unimed Londrina, está realizando um workshop sobre humanização com os profissionais do Hospital Evangélico e Santa Casa.
"O curso usa a nossa experiência como palhaços de hospital para despertar um novo olhar junto aos profissionais de saúde. Vivenciar e refletir sobre a humanização, sob a ótica do palhaço", explicou Gerson Bernardes, o Dr. Lambreta.
No workshop são utilizadas as dinâmicas usadas pelos palhaços para abordarem cinco tópicos: auto cuidado, confiança entre equipe e com paciente, empatia, comunicação verbal e corporal e não automatização do atendimento.


