O quarto dia de manifestação das mulheres de policiais militares, que bloqueiam o 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina desde terça-feira, foi marcado por muitos desentendimentos. Desde que a representante da Associação de Esposas e Pensionistas da PM, Maria da Conceição dos Santos, voltou da reunião com o governo em Curitiba, o movimento está dividido.
Enquanto as lideranças pregam a moderação, um grupo de mulheres quer partir para a radicalização do protesto, com o sequestro de todas as viaturas que ainda estão rodando pela cidade e a interrupção total dos serviços realizados pela PM.
As mulheres reivindicam a gratificação PM Especial para soldados, cabos, sargentos e tenentes, que deixou de ser paga em 1996. O movimento começou em Londrina, Maringá, Paranavaí, Apucarana e Guarapuava, coordenado pela Associação das Esposas de Londrina, e se espalhou para outras cidades do Estado. Em uma audiência entre representantes das mulheres e do governo do Estado, realizada na manhã de anteontem, o governo propôs um acordo e se comprometeu a estudar algumas melhorias, como o seguro para policiais que se envolveram em acidentes de trânsito com as viaturas; assistência judiciária; o cumprimento da jornada de trabalho em apenas 44 horas semanais; e a não punição dos PMs envolvidos no protesto.
Uma das radicais avaliou que o movimento chegou a um patamar ‘‘estável’’. ‘‘Precisamos mostrar que estamos desesperados, dispostos a tudo’’, afirmou. A atitude da manifestante tem apoio de outras mulheres e até de alguns PMs, que acompanham de perto o movimento.
As lideranças, porém, apelam para o bom senso. ‘‘Se mantivermos a coisa como está, sem radicalizar, só temos a ganhar. A sociedade está do nosso lado. Mas se interrompermos todo o serviço da polícia, isso vai se voltar contra a gente’’, explicou Vera Lúcia Rubo, relações públicas da Associação. (T.E.)

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