Os juízes da 1ª e da 5ª varas criminais de Londrina, João Luiz Cleve Machado e José Roberto Júnior, respectivamente, não chegaram a um consenso sobre a tipificação do crime cometido pelo auxiliar de carpintaria Heros Barros Ferro, 18 anos, contra a dentista Érica Luriko Hamada, ocorrido no dia 18 de março.
Como houve a divergência - conhecida no jargão jurídico como ‘‘conflito negativo de competência -, o Ministério Público entrou com recurso. A decisão, sobre onde vai correr o processo será tomada pelo Tribunal de Justiça, de Curitiba.
O inquérito policial que apurou o crime tinha sido remetido para a 5ª Vara, onde foi expedido mandado de prisão contra Ferro. O juiz José Roberto Júnior, no entanto, entendeu que o caso era de tentativa de homicídio e por isso encaminhou o processo para a 1ª Vara, que julga crimes contra a vida. João Luiz Cleve Machado, ao contrário, depois de ouvir a vítima na última sexta-feira, classificou o crime como tentativa de latrocínio (roubo seguido de morte), cuja competência é da 5ª Vara.
Ainda na sexta-feira, o promotor Janderson de Carvalho Iassaka, da 1ª Vara Criminal, que já havia denunciado Ferro por tentativa de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e meio cruel) e furto, recorreu da decisão de Machado no TJ.
Em depoimento à polícia, Heros Ferro disse que a agressão ocorreu porque a dentista não concordava com o namoro dele com a irmã dela, Eliane Hamada, também de 18 anos. Ele declarou que marcou uma consulta, com nome falso, no consultório de Hamada, localizado no Jardim Maria Lúcia (zona leste), para discutir sobre o namoro com a cunhada.
No consultório, disse Ferro à polícia, ele ‘‘perdeu a cabeça’’ e aplicou vários golpes contra a vítima, entre chutes, golpes na cabeça e perfurações no tórax, usando uma faca e um instrumento odontológico. As agressões só pararam depois que a dentista se fingiu de morta. Ferro também teria furtado cheques e cartões de crédito, fato que ele negou à polícia.
O promotor Janderson Iassaka acredita que a intenção inicial do rapaz era cometer as agressões e somente depois é que ele se aproveitou do momento para furtar a vítima - situação em que se configuraria tentativa de homicídio e levaria o caso para o Tribunal de Júri. ‘‘Ele verificou várias vezes se a dentista estava realmente morta. Após isso é que furtou’’, disse.
Iassaka acrescenta que a vítima, no depoimento prestado na 1ª Vara, afirmou que Ferro, quando entrou no consultório, deu voz de assalto. ‘‘Mas ela entendeu que isso foi uma simulação’’, afirma. ‘‘Ela percebeu que ele queria matá-la.’’
A pena para o crime de tentativa de homicídio é de 12 a 30 anos de prisão com redução de 1/3 a 2/3 (por causa da tentativa). Para latrocínio é sete a 15 anos, também com redução de 1/3 a 2/3. Já o furto tem pena de um a quatro anos de detenção. Heros Ferro está preso no 3º Distrito Policial desde o dia 24 de março, quando se apresentou para prestar depoimento.

mockup